PSDB confirma representação contra Sarney para esta terça

BRASÍLIA (Reuters) - O PSDB decide até o fim da tarde desta terça-feira se ingressa no Conselho de Ética com quatro representações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ou se reúne todas as acusações em apenas uma denúncia. Em qualquer caso, a acusação a ser protocolada nesta tarde será por quebra de decoro parlamentar, que no limite pode levar à cassação do mandato do senador, envolvido em uma sequência de denúncias. A estratégia depende de qual será considerada a mais bem sucedida, na ótica do partido.

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O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), já protocolou quatro representações contra Sarney e agora o partido analisa se vai reunir esses pedidos. O PSOL também já entrou com um pedido no conselho e o DEM, que ajudou a eleger Sarney para a presidência do Senado, ainda iria tomar uma posição.

A postura da sigla foi exposta pelos senadores Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do partido, e Álvaro Dias (PR). As lideranças estão reunidas também com Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente executivo da legenda, para optar pelo tipo de representação.

"Não é questão de luta política. Vamos defender o Senado", disse Guerra a jornalistas. "A gente quer investigação. Não vamos perseguir ninguém. Não somos contra ninguém neste assunto, somos a favor do Senado", acrescentou.

O PSDB também optou por cobrar o afastamento temporário de Sarney no Conselho de Ética, medida que seria tomada enquanto tramita a representação.

Mesmo optando por ingressar com a denúncia, o partido quer evitar realizar um ato político no Senado para não criar animosidades.

A denúncia mais recente, protocolada por Virgílio no Conselho na última quinta-feira, se baseou em diálogos gravados pela Polícia Federal em que Sarney e seu filho, deputado Fernando Sarney, tratam de uma vaga no Senado para o namorado de sua neta.

As outras referem-se à responsabilidade do senador na elaboração de atos secretos (medidas administrativas não publicadas), à acusação de que a Fundação Sarney desviou verbas de patrocínio cultural da Petrobras para benefício próprio e a possibilidade de Sarney ter mentido quando negou envolvimento nesse desvio.

O presidente do partido afirmou que a interferência do Executivo na crise do Senado é indevida. "O presidente Sarney tem que ser presidente e se manter presidente pela vontade dos senadores e não do Executivo", disse Guerra.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem dando respaldo a Sarney durante todo o período da denúncias, desde fevereiro.

Questionado se não teme uma guerra de representações, uma vez que também há denúncias contra o senador Arthur Virgílio, Guerra respondeu negativamente. "O próprio líder já pediu a sua autofiscalização e ele está muito tranquilo", disse o senador.

(Reportagem de Fernando Exman)

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