PSB reforça discurso pela candidatura própria em 2010

BRASÍLIA (Reuters) - No mesmo dia em que o PT tratou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como candidata do partido para a eleição presidencial de 2010, o PSB reforçou na sexta-feira o discurso de um candidato próprio na disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O recado foi dado no Recife durante encontro entre a cúpula do PSB e os prefeitos eleitos pela legenda nas eleições de outubro, evento semelhante ao que o PT promoveu em Brasília.

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"Achamos que temos chance de liderar uma corrente para concorrer a Presidência da República. Temos que nos preparar para ter candidato", disse à Reuters o vice-líder do governo na Câmara e segundo vice-presidente do PSB, deputado Beto Albuquerque (RS).

"Não podemos deixar essa eleição ser um mano a mano entre Serra (José Serra, governador de São Paulo) e Dilma", complementou Albuquerque, que está no Recife, em entrevista por telefone.

O parlamentar afirmou que este não é o momento de se discutir a definição de um nome para representar o partido na eleição. Reconheceu, entretanto, que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) é o correligionário com mais força para assumir a missão.

"A primazia hoje, até por ter concorrido duas vezes, é do Ciro", ressaltou, antes de alfinetar: "O Ciro teve o dobro de votos da Dilma nesta última pesquisa."

Pesquisa Datafolha, divulgada na segunda-feira, mostrou Ciro Gomes com 15 por cento das intenções de voto para 2010, contra 8 por cento de Dilma.

O vice-presidente do PSB disse considerar natural a preferência de Lula por Dilma, já que ambos são do PT. "Essa é uma imposição partidária", analisou, lembrando que o presidente tem muito "apreço" por Ciro.

Segundo o vice-líder do governo, a prioridade do PSB é discutir soluções para a crise financeira global e seus impactos sobre a economia nacional. "A hora não é de eleitoralizar 2009. Neste momento, o que está em jogo é o interesse do Brasil. Esta não é uma crise aparente", afirmou.

A crise financeira internacional foi um dos principais temas do encontro do PSB. Ciro Gomes aproveitou a oportunidade para marcar a sua posição sobre o assunto.

Para o deputado, a economia do Brasil não quebrará desta vez porque o país conta com reservas internacionais e investimentos diretos estrangeiros. Ciro, no entanto, não poupou o Banco Central.

"Devemos ficar atentos com o equívoco grosseiro do Banco Central, que agravou o fator externo com uma inexplicável pancadaria na taxa de juros, vendo uma inflação de demanda que absurdamente não existe", criticou Ciro durante o evento, segundo nota divulgada pelo site do PSB.

"Não quebraremos, mas cresceremos menos. Este ano o Produto Interno Bruto foi de 6 por cento. Ano que vem, essa porcentagem será reduzida a 2,5 por cento e olhe lá", avaliou Ciro.

(Reportagem de Fernando Exman)

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