Alijados do confronto entre PT e PSDB na sucessão ao Palácio dos Bandeirantes, PSB e PP têm articulado nas últimas semanas uma eventual aliança que dê viabilidade eleitoral às siglas na disputa ao governo de São Paulo.

Antes defensores resolutos de candidaturas próprias, lideranças dos partidos já reconhecem a hipótese de abrir mão de nomes da legenda em troca de uma coligação que garanta palanques regionais e maior tempo de campanha eletrônica às duas siglas na corrida eleitoral.

Separados, PSB e PP contam cada um com menos de 2 minutos de propaganda eleitoral gratuita. Uma eventual aliança elevaria o tempo televisivo destinado às legendas para cerca de 3 minutos e 40 segundos. Até o momento, as negociações entre os partidos ainda estão circunscritas a diálogos entre lideranças.

Os diretórios estaduais avaliam os benefícios de uma eventual coligação e estudam alternativas para acomodar os nomes das legendas nos principais postos da chapa: governador, vice-governador e as vagas ao Senado Federal.

A previsão é de que nas próximas semanas seja marcado o primeiro encontro para a discussão do possível acordo. "Estamos em negociação e aos poucos estamos avançando. Há a intenção de estarmos juntos nas eleições estaduais", confirmou o presidente estadual do PSB em São Paulo, Márcio França. "Estamos em negociação. A aliança é importante para as duas legendas. O apoio do PSB e do (Paulo) Skaf têm sido o nosso alvo preferencial no momento", ressaltou o deputado Celso Russomanno, pré-candidato do PP à sucessão ao Palácio dos Bandeirantes.

Isolamento

Confirmada a candidatura do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo paulista, com a chancela do PDT, PCdoB, PR, PRB e PPL, o PSB deixou a coalizão de oposição ao governador José Serra (PSDB) e ficou isolado no Estado. A alternativa de compor uma dobradinha com o senador petista, que foi tomada como possível por integrantes da legenda, foi vetada pelo presidente estadual do PDT-SP, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, na reunião que selou o acordo entre petistas e pedetistas.

Sem apoios para o lançamento do empresário Paulo Skaf à corrida eleitoral, lideranças do PSB vislumbram no PP a última chance de construir uma candidatura com viabilidade eleitoral.

Embora a prioridade seja um acordo que tenha Skaf como cabeça de chapa, Márcio França admite que o partido pode desistir da candidatura própria em nome da aliança. "Nós temos de ter a disciplina de aceitar o posto de vice", afirmou. "Nós sabemos que as posições mais independentes são do PP e PSB. Para ter viabilidade nas urnas, essas forças tem de estar juntas", acrescentou.

Ainda de acordo com o presidente do PSB, o nome do candidato ao governo da suposta aliança deve ser definido mais à frente, com a divulgação das próximas pesquisas de intenções de voto para o governo paulista.

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