O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) não se dá por vencido. Após ter convencido a cúpula do PSB a adiar o enterro de sua candidatura à Presidência, ele agora conseguiu apoio da cúpula do partido para tentar viabilizar o seu projeto presidencial. Para desespero do PT, o PSB atendeu a uma antiga reivindicação de Ciro e entrou com uma consulta no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre tempo de propaganda na TV. O deputado quer uma brecha para eliminar o argumento de que, sem alianças partidárias, não terá exposição suficiente na TV ¿ o que seria, nas palavras do partido, suicídio político.

Pela lei eleitoral, os horários reservados à propaganda de cada eleição serão distribuídos entre todos os partidos e coligações que tenham candidato (10 minutos) e representação na Câmara dos Deputados (20 minutos). Estes dois terços do tempo são divididos de forma proporcional ao número de deputados federais eleitos na eleição anterior por partidos e coligações. O PSB quer, com a resolução, que somente os deputados que tenham candidatos à Presidência entrem nesta divisão.

Se a resolução for aprovada, o partido contabiliza o dobro de tempo para Ciro. O TSE pode mudar a interpretação da lei atual e aí o um minuto e quase quarenta segundos do Ciro passariam para 3,5, disse o presidente do partido em São Paulo, deputado federal Márcio França. 

Com o quadro atual, Ciro enfrentaria os mais de 13 minutos na TV da petista Dilma Rousseff e oito minutos de José Serra (PSDB). Só teria mais exposição que a neoverde Marina Silva, com aproximadamente um minuto de tempo na TV.

O partido ainda não obteve resposta da consulta, que estava nas mãos do relator Félix Fischer. O ministro recebeu a consulta no dia 18 de março, mas deixou o tribunal no final do mês. Enquanto espera, o PSB corre pelas beiradas para negociar apoio a Ciro.

O presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, esteve com o presidente do PP, senador Francisco Dornelles. Disse que uma candidatura própria é interessante para o partido. Mas Campos voltou da reunião de mãos abanando. Dornelles disse a ele que o partido já estava fechado com Dilma Rousseff em pelo menos 20 Estados. Além do PP, o PT já fechou acordo com PDT, PPL, PR e PRB e está próximo de obter o apoio do PC do B.

Pacote de compensação

Preocupado com a demora do PSB em obter uma resposta de Ciro, Lula já estuda uma nova conversa com o parlamentar. Na semana passada, Ciro disse que só seu partido ou sua mãe poderiam impedi-lo de ser candidato e nem mesmo um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convenceria a optar pela corrida ao governo de São Paulo em uma chapa formada com o PT.

Em troca da desistência, o Planalto avalia a possibilidade de entregar a Ciro um ministério estratégico num eventual governo de Dilma. Ao mesmo tempo em que o governo prepara um pacote de compensação para convencê-lo a sair de cena, o PT planeja para a próxima semana uma visita estratégica da presidenciável Dilma Rousseff ao Ceará, berço político do deputado.

Como parte da ofensiva, Dilma vai desembarca nesta segunda em Fortaleza (CE), para receber uma homenagem. Em paralelo, a orientação dada a líderes petistas e membros do governo é deixar claro que o Planalto quer Ciro como aliado e, ao mesmo tempo, intensificar a defesa de uma eleição plebiscitária entre Dilma e o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.

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