A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos poderá determinar acareação entre os delegados Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e Protógenes Queiroz, mentor da Satiagraha. A CPI identificou “contradições flagrantes” nos relatos de Lacerda e de Protógenes, confrontados com depoimentos de agentes da Abin.

Os dois vão depor novamente à CPI. A ida de Protógenes está marcada para o dia 1º. “A acareação deve ser requisitada para esclarecer pontos ainda obscuros”, assinalou o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da CPI.

Itagiba avalia que “está muito longe da verdade” o depoimento do ex-diretor da Abin no inquérito da Polícia Federal que investiga vazamento de dados da Satiagraha. “Existe uma contradição muito grande entre o que disse Lacerda e o que contaram os servidores da Abin.” Os agentes revelaram à PF e à CPI dos Grampos que foram mobilizados com “autorização superior” para compor a equipe de Protógenes. Alguns foram escalados para fazer escutas e tiveram acesso ao Guardião, máquina de grampos da PF, utilizando-se de senhas de uso exclusivo dos policiais.

À PF, Lacerda admitiu ter dado apoio à Satiagraha. Mas declarou que “nesse apoio não está incluído o acompanhamento de áudios captados pelo sistema Guardião e a transcrição dos áudios”. Para Lacerda, “se alguém fez esse tipo de trabalho, omitiu da diretoria da Abin”. Ontem, Protógenes afirmou em entrevista ao portal de notícias UOL que “faria tudo de novo, só que com um plus, com mais esforço e com maior número de policiais e agentes da Abin, que muito dignificaram o trabalho da Satiagraha”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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