Protógenes diz que faria tudo de novo, com mais agentes

Apesar do desgaste que sofreu desde o anúncio da Operação Satiagraha, com seu afastamento do comando das investigações e indiciamento pelos crimes de violação de sigilo funcional e interceptação de comunicações telefônicas sem autorização judicial, o delegado Protógenes Queiroz disse que não se arrepende do que fez e faria tudo de novo, só que com um plus. Com mais esforço do que fiz e com maior número de policiais e agentes da Abin, que muito dignificaram o trabalho da Satiagraha e que se colocaram à disposição 24 horas por dia, afirmou, em entrevista ao portal de notícias UOL.

Agência Estado |

O delegado teria utilizado 300 agentes federais no dia da deflagração da operação, em 8 de julho. Segundo ele, durante as investigações, apenas quatro atuaram e por isso foi necessário utilizar 84 homens da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A operação custou R$ 400 mil.

Ele defendeu que os policiais federais tenham as mesmas prerrogativas de juízes, promotores e procuradores do Ministério Público (MP). Hoje, os policiais federais não têm direito à inamovibilidade, que proíbe que juízes, promotores e procuradores sejam transferidos contra sua vontade, nem a vitaliciedade, pela qual a perda de um cargo só pode ocorrer por meio de sentença judicial. "Há um desequilíbrio. Tanto a magistratura quanto o MP têm prerrogativas que a PF não tem", disse. Segundo ele, é preciso que haja mudança na legislação para que os policiais federais passem a ter as mesmas prerrogativas.

Na avaliação do delegado, é impossível fazer operações com o objetivo de combater o crime organizado sem realizar escutas telefônicas. "Há necessidade de utilizar esse instrumento. Sem ele, é impossível combater o crime organizado no mundo", afirmou. Protógenes disse concordar com a necessidade de haver autorização judicial e fiscalização do Ministério Público para grampear linhas telefônicas. "Não complica o trabalho da polícia. Pelo contrário, nos auxilia", opinou.

O delegado ressaltou também ser necessário aumentar o prazo das escutas telefônicas. "É o adequado e necessário para identificar todas as ramificações de uma organização criminosa", disse. O ideal, na avaliação dele, seria um mínimo de 12 meses e um máximo de 24 meses. Atualmente, o máximo é de 60 dias. Ele voltou a dizer que todas as escutas que realizou durante a Operação Satiagraha foram autorizadas pela Justiça e que auditorias realizadas pela Polícia Federal não encontraram interceptações ilegais. "Nada foi encontrado", reiterou.

CPI dos Grampos

Protógenes disse que ainda não recebeu notificação formal para depor na CPI dos Grampos no dia 1º de abril e afirmou que somente dará "nome aos bois" se os parlamentares apresentarem documentos que comprovem que a investigação coordenada pelo delegado Amaro Vieira Ferreira, da Corregedoria da PF, já não corre mais sob segredo de Justiça. "Eu não tive acesso aos dados disponibilizados à CPI, mas quando tiver acesso, evidentemente, se o sigilo estiver levantado, vou poder esclarecer tudo. Item por item", afirmou.

Sobre os rumores de que poderá sair preso após depor à CPI, ele afirmou estar preparado para tudo e disse não ver motivação para isso. Na avaliação dele, os deputados da comissão têm "posicionamentos equilibrados" e não será necessário ingressar com habeas-corpus preventivo para evitar a prisão. "Não há necessidade, se porventura não houver indício concreto de que vai ocorrer. Se ocorrer, o STF está aí disponível para socorrer. Acredito que não vai haver necessidade. E o povo brasileiro vai estar acompanhando", afirmou.

Carreira política

O delegado disse que não tem interesse em seguir carreira política, mas ponderou que "não pode desprezar toda essa vontade popular". Segundo ele, há grupos no Rio e em São Paulo interessados na possibilidade de que ele dispute algum cargo eletivo. "Para falar a verdade, eu não tenho simpatia para ser político não, e sim para ser delegado de polícia. Mas não posso desprezar toda essa vontade popular. Tenho de considerar com muito respeito e carinho", afirmou.

O delegado disse que nunca afirmou que agia em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que a investigação tinha o interesse do Gabinete de Segurança Institucional, órgão que faz parte da Presidência.

Protógenes disse não temer por sua segurança, mas pela de sua família. Ele citou a frase dita pelo vice-presidente José Alencar ao deixar o Hospital Sírio-Libanês, 27 dias após passar por uma cirurgia de 18 horas, para a retirada de tumores no abdome: "Eu sou um ser que acredita muito em Deus, sou católico e rezo e oro todos os dias pela minha saúde, de meus familiares e do povo brasileiro. Não temo nada, só temo a Deus, e utilizo sempre a frase lapidada pelo vice-presidente: 'Não tenho medo da morte, só da desonra'."

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