Protógenes disse que Satiagraha era missão presidencial, reafirma agente da Abin

BRASÍLIA - O agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Lúcio Fábio Godoy de Sá confirmou à CPI dos Grampos, nesta terça-feira, que o delegado Protógenes Queiroz cooptou funcionários da agência com o argumento de que a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, era uma missão de interesse especial do presidente Lula. Essa informação já havia sido dada por Godoy em depoimento à Polícia Federal.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Após a reunião da CPI, que foi reservada aos deputados, sem a presença da imprensa, o presidente da comissão, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), explicou aos jornalistas que Protógenes teria, segundo Godoy, contado aos agentes que o presidente Lula estava preocupado que seu filho Fábio Luís, dono da empresa Gamecorp, pudesse ser cooptado pela facção criminosa ligada ao sócio-fundador do Opportunity, Daniel Dantas.  

Dantas era o principal investigado da Operação Satiagraha, e, por duas vezes no ano passado, foi preso a pedido do delegado Protógenes Queiroz. 

Os deputados também ouviram nesta terça-feira o agente da Abin Jerônimo Jorge da Silva Araújo. De acordo coma revista 'Veja', ele era responsável pela transcrição dos áudios da investigação, fato confirmado pelo agente ao colegiado. Existe a suspeita de que o delegado Protógenes Queiroz tenha grampeado autoridades da República ilegalmente.

Os depoimentos demonstram que a atuação dos oficiais foi algo fora das normas e diretrizes do serviço de inteligência. Foi uma série de atos inconsequentes que levaram a um jogo que pode atrapalhar o processo que iria levar criminosos para a cadeia, avaliou Itagiba.

À tarde, a CPI ouvirá, desta vez em sessão aberta à imprensa na Câmara dos Deputados, o depoimento do oficial de Inteligência da Abin Márcio Seltz. No ano passado, Seltz participou de uma reunião da comissão e contou aos deputados que o ex-diretor da Abin Paulo Lacerda teve acesso a um pen-drive com gravações de áudio de interceptações telefônicas realizadas durante as investigações prévias da Operação Satiagraha, o que seria ilegal. O próprio Seltz teria entregado o objeto à Lacerda.

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