Protógenes afirma que filho do presidente Lula não foi investigado

BRASÍLIA - O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz se recusou há pouco a responder aos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas se a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, foi investigada pela Operação Satiagraha, que ele coordenou inicialmente. No entanto, quando questionado pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), ele respondeu de forma taxativa que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, não foi investigado por essa mesma operação. Quando foi questionado por Itagiba se a Operação Satiagraha havia sido determinada pela Presidência da República, Protógenes também se absteve.

Valor Online |

Protógenes tem se negado a responder a maior parte das perguntas, pois está amparado por habeas corpus concedido pela Justiça Federal. Ele disse que está impedido de se manifestar com relação a alguns temas investigados pela CPI porque eles estariam relacionados com inquérito que está em curso na Polícia Federal. Protógenes afirmou também que a operação da Polícia Federal desta quarta-feira no banco Opportunity, de propriedade de Daniel Dantas, limitam o âmbito de respostas que poderia dar.

O delegado afirmou que está não só amparado pelo habeas corpus, mas também por decisão do Tribunal Regional Federal de São Paulo, o qual decidiu que pode haver compartilhamento de informações entre os órgãos do Sistema Brasileiro de Inteligência, o que foi confirmado por decisão liminar pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Cezar Pelluzo.

O delegado deu o mesmo fundamento para não responder às questões do presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) sobre a participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação. Garantiu, contudo, que todas as interceptações de comunicações da Operação Satiagraha estão " absolutamente dentro da lei. Segundo ele, todas elas foram objeto de auditoria da Polícia Federal. Afirmou ainda que os equipamentos utilizados pela PF são auditados e que não é possível fazer nenhuma alteração ou adulteração dos dados coletados.

Protógenes declarou aos parlamentares da CPI que, durante a Operação Satiagraha, comandada por ele, foram encontrados documentos nas dependências da multinacional Kroll, obtidos por meio de espionagem, que são "nocivos à autoridades brasileiras e ao país". Disse que a empresa possuía documentos contra empresas com interesses contrários aos do banqueiro do Daniel Dantas e ao grupo Oportunity.

"A Justiça americana solicitou que a Kroll apresentasse todos os dados de espionagem contra a BrasilTelecom. A empresa apresentou mais de 250 caixas contendo documentos que eram nocivos ao país", disse Protógenes. "Dados de espionagens que tratavam da transposição do Rio São Francisco, privatização da Petrobras e da Vale do Rio Doce", acrescentou o delegado. Segundo ele, os documentos eram uma tentativa de cooptação de várias autoridades.

(Agência Câmara e Agência Brasil)

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