Protógenes admite atrito com grupo da PF durante Operação Satiagraha

BRASÍLIA - O delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Queiroz negou nesta quarta-feira, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas, da Câmara dos Deputados, ter havido pressão para que ele deixasse o comando da Operação Satiagraha. Entretanto, ele ponderou que, em toda operação, envolvendo ¿pessoas importantes¿, há sempre obstáculos a serem transpostos.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

Se esses obstáculos atrapalharam ou não a investigação, cabe ao Ministério Público esclarecer à sociedade, disse. Segundo o delegado, esta investigação também está sob sigilo.

Toda reestruturação atingem determinados setores. Dentro desta reestruturação, houve, por parte de um grupo [da PF], uma dificuldade comigo. Meu jeito, minha forma de trabalhar foi considerada leviana, ponderou.

Queiroz evitou dar detalhes sobre a passagem da coordenação da operação à outra equipe alegando investigações cobertas por sigilo, mas repetiu o argumento de que o curso que faz na Academia Nacional de Polícia já estava programado, não sendo uma desculpa para seu afastamento.

Dantas é investigado por escutas ilegais

Sob alegação de limitação legal, Protógenes evitou confirmar se o grupo do banqueiro Daniel Dantas chegou a quebrar sigilos telefônicos na disputa da Brasil Telecom - empresa a qual o iG pertence.

Porém, segundo o delegado, existem investigações na 5ª e 6ª Vara Criminal de São Paulo sobre o assunto. Existe a suspeita de que Dantas teria contratado a empresa Kroll para espionar concorrentes.

O delegado também afirmou não poder responder quando as interceptações telefônicas feitas pela PF a Daniel Dantas começaram. No entanto, declarou que o trabalho de investigação começou em 2004. Os deputados devem questionar sobre qual foi o tempo total de escutas. Quase quatro anos é tempo demais, disse o deputado Walderlei Macris (PSDB-SP). 

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