Protesto em SP contra visita de Ahmadinejad reúne 1 mil

Mais de 1 mil pessoas participaram na tarde de hoje, em São Paulo, de um protesto contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, marcada para o próximo dia 23. A manifestação ocorreu na Praça dos Arcos e reuniu diversos movimentos sociais e grupos religiosos.

Agência Estado |

Um dos organizadores do movimento em São Paulo, Boris Ber, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, disse à Agência Brasil que a manifestação não é contra o povo do Irã, mas um protesto contra o presidente "que nega deliberadamente o Holocausto" e o fim do estado de Israel.

"Alguém que nega a história e alguém que não fala de futuro, como disse o Shimon Peres [presidente de Israel, que esteve esta semana visitando o Brasil], não agrega nada ao Brasil", disse Ber, ressaltando que mesmo uma relação estritamente comercial com o Irã não representaria muita coisa ao Brasil.

Outra crítica dos manifestantes sobre a visita de Ahmadinejad ao Brasil é a negação dele da existência de homossexualidade no país. Segundo o advogado Eduardo Piza Gomes de Melo e participante da organização não governamental Instituto Edson Néris, Ahmadinejad "institucionalizou a homofobia", fazendo a homossexualidade ser considerada crime no Irã e punida com pena de morte. "Num país que tem 70 milhões de habitantes, isso significa que ele ignora a existência de 5 a 7 milhões que são gays e lésbicas. E, além disso, exerce uma violência, uma repressão brutal contra a livre orientação sexual das pessoas."

"Como chefe de Estado, Ahmadinejad tem o direito de vir ao Brasil, visitar o presidente Lula e fazer negócios. O que ele não pode é se aproveitar dessas viagens internacionais para fazer ameaças a qualquer povo", disse o babalorixá Francisco de Osun, presidente do Instituto Afro religioso Ilé Asé Iyá Osun, em entrevista à Agência Brasil.

Para o bispo Carlos de Castro, presidente do Conselho de Pastores do Estado de São Paulo, o presidente do Irã é "um déspota" e o presidente Lula, apesar de recebê-lo no Brasil, deveria manter uma posição marcante e de "inconformidade contra as declarações de Ahmadinejad". "Uma vez que o Brasil está crescendo e se colocando entre as maiores nações do mundo, não podemos aceitar a intolerância e a discriminação."

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