Protesto de desabrigados por enchentes fecha BR em Alagoas

Protesto é contra a falta de assistência e a péssima qualidade da alimentação fornecida aos desabrigados

AE |

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Cerca de 100 desabrigados das enchentes do mês de junho em Alagoas bloquearam nesta quinta-feira um trecho da BR-104, próximo ao trevo de acesso a cidade de União dos Palmares, a 85 quilômetros de Maceió. O bloqueio começou por volta das 13 horas e continuou até o final da tarde, causando um congestionamento de mais de dez quilômetros nos dois sentidos da pista. Soldados da Polícia Militar (PM) de Alagoas estiveram no local e tiveram muito trabalho para evitar o confronto entre os manifestantes e os motoristas que tentavam furar o bloqueio. 

Eles protestavam contra a falta de assistência e a péssima qualidade da alimentação fornecida pela prefeitura do município aos desabrigados. Eles fazem parte de um grupo de desabrigados das enchentes que estão alojados há mais de três meses no Ginásio de Esportes Governador Manoel Gomes de Barros, que fica na entrada de União dos Palmares. Alguns manifestantes jogavam na pista punhados de feijão, segundo eles, de péssima qualidade, que teria sido fornecido pela prefeitura.

"Esse feijão aqui moço não serve para nada. A gente gasta o gás ou lenha para tentar cozinhá-lo, mas ele é duro que nem pedra", afirmou a dona de casa Maria José Leopoldino da Silva, de 64 anos. Ela disse que os desabrigados também estão revoltados porque terão que ser transferidos do ginásio de esportes para as barracas de lona dos acampamentos. "A gente não quer ir para lona porque é muito quente, ninguém aguenta ficar debaixo de uma barraca daquela, mas dizem que vão tirar a gente do ginásio a pulso." 

Esta foi a segunda vez que os desabrigados interditaram a BR. Os manifestantes afirmam também que a prefeitura não está entregando as cestas básicas e água potável. "Estamos passando fome e sede, enquanto os donativos da gente estão sendo usados pelos políticos da região para a troca de voto na eleição", denunciou Everaldo dos Santos Silva, de 43 anos. "Enquanto os desabrigados estão recebendo quentinhas, nós estamos recebendo feijão cru e de péssima qualidade." 

Armados com pedaços de paus e pedras nas mãos, os manifestantes ameaçavam atacar os motoristas que se aproximavam para tentar furar o bloqueio. A proposta da prefeitura era de que uma comissão fosse formada para falar com o prefeito em seu gabinete. No entanto, os desabrigados informaram que somente após a chegada do prefeito Areski de Freitas liberariam o trânsito.

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