Protesto com fardas em Ipanema lembra PMs mortos no Rio

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uniformes de policiais militares com marcas vermelhas representando sangue foram estendidos num varal ao lado de cruzes na praia de Ipanema nesta quarta-feira, numa manifestação para lembrar os PMs mortos em serviço nos últimos anos. Um cartaz diante do varal dizia: Eles tombaram em defesa do povo do Rio. Segundo a ONG Rio de Paz, que organizou o protesto, 58 policiais fluminenses morreram durante o trabalho nos últimos dois anos.

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O deputado estadual Marcelo Freixo, presidente da Comissão de Direito Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), argumenta, no entanto, que "a maioria esmagadora" acaba morrendo no período de folga.

"Eles morrem fora de serviço porque boa parte desse tempo de folga eles não estão descansando, mas sim trabalhando, fazendo bico em áreas de segurança privada ou coisas do gênero, onde o risco é muito maior", disse Freixo à Reuters por telefone.

De acordo com a Polícia Militar, 1.147 policiais do Estado morreram fora de serviço entre 1999 e abril deste ano, enquanto 311 morreram no trabalho no mesmo período. Entre janeiro e abril de 2009, morreram 9 policiais em serviço e 26 no período de folga, informou a PM.

Freixo, que presidiu a CPI das Milícias da Alerj no ano passado -- que incluiu vários policias entre os 225 indiciados por participação nesses grupos -- afirmou que os policiais são obrigados a buscar um serviço extra devido à baixa remuneração, e que as próprias milícias são responsáveis por boa parte das mortes.

"Nesses serviços, que são necessários em função do baixo salário, o risco é muito maior", afirmou Freixo. "Muito policial morre em função das milícias", acrescentou.

Segundo o deputado, os policiais também sofrem uma espécie de "perseguição dos criminosos" quando estão de folga, e acabam sendo assassinados quando são identificados como policiais.

Para o tenente-coronel da PM Antonio Carlos Carvalho Blanco, que participou da manifestação em Ipanema, os policiais do Rio "são tanto algozes como vítimas da violência".

(Por Pedro Fonseca, com reportagem da Reuters TV)

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