Proprietária e funcionárias de creche onde morreu bebê prestam depoimento

SÃO PAULO ¿ A proprietária da creche Pedacinho do Céu, Suzana Aparecida Leal, onde o bebê Gabriel de 7 meses morreu de parada cardiorrespiratória, prestou depoimento ao delegado Sérgio Alves, na manhã desta quarta-feira, no 90º Distrito Policial. Além dela, três funcionárias do estabelecimento que chegaram com os rostos cobertos e não quiseram falar com a imprensa serão ouvidas.

Lívia Machado, do Último Segundo |

O depoimento de Suzana durou 2h15 e seu advogado trazia em mãos a ficha médica e o diário do menino Gabriel, nos quais, segundo os advogados da proprietária da creche, não constava nenhum registro sobre problemas de refluxo do menino.

Ainda segundo os advogados, não existe prova contundente de que qualquer funcionário sabia dos problemas de refluxo do menino e a funcionária Amanda acusada pelos pais não seria funcionária responsável por cuidar das crianças e sim do administrativo.

O depoimento de Suzana foi, basicamente, sobre a rotina da creche, já que ela não estava presente no dia da morte.

Uma das funcionárias que depõe nesta quarta é uma senhora de idade e desmaiou na delegacia. Segundo os advogados, as funcionárias estão abalados psicologicamente e "sendo chamados de assassinas".

A criança morreu, por volta das 12h da última sexta-feira, após ter almoçado. Segundo o pai de Gabriel, Júlio Cesar Ribeiro, a creche sabia do problema de refluxo da criança e não foi cuidadosa. "A funcionária Amanda sabia que ele tinha refluxo, eles foram avisados", disse. Em depoimento nessa terça-feira, ele reiterou à polícia que houve negligência da creche na morte de seu filho.

O advogado da creche localizada na Vila Gustavo, zona norte de São Paulo, Roberto Rinaldi, garantiu que "dessa vez haverá justiça" e que o episódio não terá o mesmo desfecho da Escola Base.

Mario Ângelo/ AE
Bebê morreu aos sete meses
Rinaldi rebateu às acusações que o pai da criança , Julio Cezar Ribeiro, declarou nesta terça-feira, em depoimento ao delgado Sergio Alves, na 90°delegacia de Policia de São Paulo. O advogado tomou posse da ficha médica do bebe e afirma que não há nenhum relato de doença ou qualquer necessidade de cuidados médicos específicos.

"Não há dados pertinentes à algum tipo de doença ou informação sobre o refluxo que o bebê possuía; nesses pontos, a ficha não foi nem preenchida, está em branco", ressalta.

O advogado também afirma que não houve manifestação verbal por parte dos pais, informando ao menos um funcionário da creche sobre os problemas de saúde de Gabriel.

Versões para o caso

Os pais alegam que houve negligência por parte dos empregados já que, segundo eles, quando a criança foi entregue à creche estava bem de saúde. Segundo a mãe do bebê, Gabriel foi entregue às 11h à escola e estava feliz, contente e sem nenhuma doença.

AE
Familiares do bebê Gabriel protestam em frente à creche

A direção da creche nega as acusações e classifica o caso como "fatalidade". Por meio de nota, ela informa que a "escola (...) é personagem de uma fatalidade". "As escolas legalizadas como a nossa, passam por avaliações freqüentes dos inspetores da prefeitura que constatam a conformidade de nossas práticas", destaca a creche.

"As acusações à escola como pré-ciência de maus tratos, má qualidade de alimentação, falta de funcionários, dentre outras barbaridades que estão sendo veiculadas, se analisadas com um pouco de bom senso e razão, percebe-se que não encontram respaldo e são fruto de oportunismo e falta de sensibilidade", acrescenta, por meio de nota. ( leia a íntegra )

Segundo a família, a morte do bebê só foi constatada quando o pai foi buscá-lo. Ele conta que esperou por cerca de 5 minutos até uma funcionária avisá-lo que Gabriel "estava roxo". Júlio chegou a levar o filho para um hospital, mas, após tentativa para reanimar a criança por 40 minutos, ela não resistiu e morreu.

De acordo com a família, durante os procedimentos para reanimar Gabriel, os médicos encontraram restos de alimentos no bebê, o que dificultou a entubação.

A creche destaca que adotou todos os procedimentos necessários de segurança com Gabriel "como alimentação e descanso na posição vertical e arroto, por exemplo". Ainda em sua defesa, a creche informou que comunicou ao Corpo de Bombeiros e reiterou que a morte da criança foi uma fatalidade.

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