Proposta quer legalizar os ilegais, diz líder do PV na Câmara

BRASÍLIA - O líder do PV na Câmara dos Deputados, Edson Duarte (BA), afirmou nessa quarta-feira que a votação do projeto que anistia desmatadores ilegais desmonta o código florestal e compromete a imagem brasileira na convenção da ONU de Mudanças Climáticas, em Copenhagen, na Dinamarca, em dezembro.

Camila Campanerut, iG Brasília |

O Brasil tem uma influência importante [no bloco dos países em desenvolvimento] e fica desautorizado ao legalizar os ilegais, argumenta.

A bancada ambientalista ganhou nesta quarta-feira um fôlego após o adiamento em uma semana da votação sobre o projeto de lei que anistia os responsáveis pelo desmatamento ilegal de cerca de 35 milhões hectares de em todo País.

Representantes da bancada e integrantes de organizações ambientalistas se reúnem nesta tarde para definir quais as estratégias irão adotar. A impunidade oficial pode servir de estímulo para que se continue desmatando. Pode até estimular [por parte dos países importadores] o boicote dos produtos [de agropecuária] brasileiros, que basicamente são para a exportação, aponta Duarte. 

No processo não se pode acrescentar emendas nem pedir vistas, explica o presidente da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Roberto Rocha (PSDB-AM).

O parlamentar alega que a correria para a votação, apontada pelos ambientalistas, se deve ao fato de que após 10 de novembro as votações no plenário da Câmara ficaram voltadas apenas para os projetos ligados ao pré-sal. Há sempre uma tentativa de não enfrentar o debate. As posições são extremadas. É um projeto de política agrícola que tem de ter cobertura ambiental necessária, define Rocha. 

O Brasil tem menos de 30% das terras usadas para a agricultura e pecuária. Qual país da Europa é assim? Queria ver se fariam isso [a restrição de áreas produtivas] na China, nos Estados Unidos, questionou o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS) da bancada ruralista.

Segundo o presidente da Comissão, o projeto entrou em pauta mais de dez vezes e seu texto só pode ser alterado, neste estágio, pelo relator, após negociações com as bancadas, ambientalista e ruralista.

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