Promotor não vê necessidade de apoio da PF no caso de desaparecidos em Luziânia

O promotor Ricardo Rangel de Andrade, da 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Luziânia, que acompanha o caso dos seis adolescentes que em menos de um mês desapareceram misteriosamente no município goiano, afirma que, no momento, não vê necessidade de que a Polícia Federal participe das investigações.

Fred Raposo, iG Brasília |

Em entrevista ao iG, Rangel diz que a polícia goiana vive uma "crise de credibilidade" em relação à população, e aponta problemas de infra-estrutura em investigações anteriores. Mas reforça que, dada a repercussão do caso, a polícia atua hoje "com carga máxima".

"Sabemos que, em regra, há uma precariedade de recursos humanos e materiais por parte da polícia civil para apurar os crimes. Falta gente, viatura e investimento. Mas, diferentemente dos demais casos, há empenho e os recursos estão sendo empregados", assinala o promotor.

"O importante hoje é que se tenha uma investigação de forma permanente e contínua".

Rangel conta que os inquéritos foram instaurados (há um para cada desaparecimento), tardiamente, em 25 de janeiro - quase um mês após o primeiro desaparecimento, em 30 de dezembro. Afirma que a investigação está em estágio inicial, em que as testemunhas são ouvidas e há quebras de sigilo.

"São atividades que podem ser feitas pela polícia civil. Há limitação? Há. Mas qualquer órgão tem que estar ciente de suas responsabilidades", pontua.

"Se a polícia goiana não quer ajuda da Polícia Federal, é uma responsabilidade que a Secretaria de Segurança Pública de Goiás está assumindo. A partir do momento em que os prazos dos inquéritos forem vencendo, teremos elementos para elogiar ou criticar".

O apoio federal é um pedido dos parentes dos jovens. Rejeitada pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás, que investiga o caso, a ajuda já foi defendida por representantes de duas CPIs em curso no Congresso, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

O promotor afirma ainda que hipóteses levantadas sobre os desaparecimentos - como sequestro para trabalho escravo, tráfico de órgãos e magia negra - são "especulações". Também adianta que, embora os jovens morem no mesmo bairro, o Parque Estrela Dalva, não há "nada de concreto" que vincule os desaparecidos. Ele ressalta, porém, que foi a "politização" criada pelas mães dos adolescentes em torno do caso que viabilizou as investigações.

"A politização foi extremamente positiva", sublinha. "Se existem críticas à polícia, elas se devem a deficiências crônicas e históricas. O que não pode acontecer é ter um início de investigação e depois abandoná-la. Não tenha dúvida de que, se houver qualquer indício de fragilidade para se obter determinada prova, seremos os primeiros a denunciar".

Luziânia

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