O promotor de Justiça Francisco Cembranelli não deve analisar hoje os documentos do caso Isabella. A agenda da Promotoria prevê para as 12h30 a participação de Cembranelli em um júri no próprio Fórum de Santana.

O inquérito foi entregue por dois policiais do 9º DP, em carro do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).  

Agora, a promotoria irá analisar o caso e, a partir daí, tem 15 dias para apresentar denúncia à Justiça contra o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, principais suspeitos pelo crime.

Cembranelli, disse que irá analisar o inquérito durante o feriado prolongado e que na próxima segunda-feira, daria um parecer final.

Os advogados de defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, convocaram a imprensa para uma entrevista à tarde. Os advogados Marco Pólo Levorin, Ricardo Martins e Rogério Neres de Sousa vão comentar aspectos do inquérito policial, entregue nesta quarta, e notícias veiculadas nos últimos dias sobre uma eventual viagem do casal, além da preparação de um laudo alternativo ao feito pela polícia científica de São Paulo.

Morte da menina completou um mês ontem

Prisão preventva

Anteriormente, Cembranelli já havia dito que iria pedir a prisão preventiva do casal, o que pode ser feito também pela polícia.  

Nos últimos dois dias, os delegados Calixto Calil Filho e Renata Pontes, ambos no 9º DP, distrito que investiga o caso, ficaram analisando todo o processo e resumiram, em cerca de 20 páginas, os 64 depoimentos, 950 páginas do inquérito policial e 100 páginas de laudos periciais. 

Principais suspeitos

Peritos informaram que o tempo declarado por Alexandre para subir com Isabella da garagem do edifício, deixá-la no quarto e voltar para pegar Anna e os outros dois filhos seria insuficiente para que uma terceira pessoa entrasse no apartamento, assassinasse a menina e a jogasse pela janela. Além disso, foram encontrados, na camisa que Alexandre usava na noite do crime, vestígios da tela de proteção que foi cortada para jogar Isabella.

Defesa

Pai e madrasta são suspeitos pela morte

Os advogados do casal contestam as provas obtidas pela polícia e dizem que farão uma perícia paralela para provar a fragilidade das acusações.  Um dos advogados, Marco Polo Levorin, afirma que tem como provar que uma terceira pessoa entrou no apartamento. Os laudos são favoráveis, disse. Há muitos fatores e informações que ainda não vazaram para a imprensa e ajudam a provar a inocência do casal. Falaremos no momento apropriado. Posso dizer que os laudos apresentam aspectos importantes para a defesa, e o conjunto probatório é frágil, completou.

Dados conflitantes

Além disso, duas incertezas com relação à perícia deixam a defesa mais confortável para questionar os laudos. O delegado do caso, Calixto Calil Filho, em interrogatório ao suspeito, no dia 18 de abril, usou a informação de que haveria mancha de vômito na camisa dele e que esse vômito seria de Isabella. Os laudos, porém, não podem afirmar com certeza que aquela mancha, encontrada na bermuda e não na camiseta, amarelada era vômito. Em depoimento, Alexandre disse desconhecer a informação. 

Outra contradição é com relação ao sangue encontrado no carro. Por ter sido encontrada uma pequena quantidade não foi possível afirmar que o sangue era de Isabella. Para o promotor do caso, Francisco Cembranelli, há outras maneiras de provar que o sangue era sim de Isabella. Uma delas é a própria disposição, fornecida pelo casal, da família dentro do Ford Ka da família.

Avô acredita na inocência e diz que casal não vai fugir

O advogado Antonio Nardoni, avô paterno da menina Isabella, garantiu que seu filho, Alexandre, e a nora, Anna Carolina Jatobá não vão sair do País e considerou a hipótese ridícula. "Ninguém liga para algum lugar para fugir e dá o nome. Eles não vão fugir. Continuam na casa do sogro, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Quando não estão lá estão aqui conosco", assegurou. Em entrevista concedida à Globo News TV, ele disse que a família continua a trabalhar para provar a inocência dos dois. "Temos certeza da inocência deles, eu também tenho. Continuamos batalhando para provar que não foram eles. Estamos muito conscientes de que não foram", falou.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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