Promotor deve denunciar responsáveis por tragédia do Metrô de São Paulo até o final do ano

SÃO PAULO - Até o final do ano, o Ministério Público Estadual em São Paulo deve denunciar os responsáveis pela construção, execução e fiscalização do canteiro de obras da futura Estação Pinheiros do Metrô. Isso envolveria, segundo o Ministério Público, o Consórcio Via Amarela, responsável pelas obras, e o próprio Metrô, que teria a tarefa de fiscalizá-las.

Agência Brasil |

Em janeiro do ano passado, sete pessoas morreram em São Paulo após o desmoronamento do canteiro de obras do metrô em Pinheiros. O Ministério Público está investigando o caso.

Na última quinta-feira, o promotor criminal Arnaldo Hossepian Junior, responsável pelas investigações do acidente, recebeu o último laudo sobre a tragédia, elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC). Outros dois laudos já foram entregues ao promotor, um elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e outro pelo próprio Consórcio Via Amarela.

O laudo do IC, segundo ele, confirma o não funcionamento do plano de contigenciamento, comprova que as detonações ocorreram mesmo depois que o estado de risco já havia sido constatado e demonstra que, 25 minutos antes da tragédia, houve sinais de esfarelamento do teto do canteiro de obras.

De acordo com o promotor, os laudos do IPT, do IC e as provas testemunhais indicam que a tragédia poderia ter sido evitada. O acidente era possível de ter sido previsto. Portanto, as mortes poderiam ter sido evitadas, afirma Hossepian.

Era razoável que a obra tivesse sido paralisada e que o trabalho de reforço fosse o único serviço a ser executado naquele canteiro, disse o promotor em entrevista à Agência Brasil e à TV Brasil.

Segundo ele, os laudos também mostraram que houve explosões momentos antes da tragédia e que o plano de contigenciamento do entorno não funcionou. As ruas não foram paralisadas e no tempo que se deu, desde a primeira constatação até o momento crítico, teria sido possível interditar o entorno.

Por meio de nota, o Metrô informou ter recebido a cópia do laudo do IC, que é composto por um laudo e dois anexos, com mais de mil páginas. O documento, segundo a nota, foi encaminhado para conhecimento e análise interna da companhia.Para o Metrô, é prioritário que as causas do acidente da estação Pinheiros sejam cabalmente esclarecidas e, para tanto, aguarda as manifestações do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Já a assessoria de imprensa do Consórcio Via Amarela informou que até o presente momento não tomou conhecimento do laudo do Instituto de Criminalística.

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