Projetos de usinas de etanol no Brasil são adiados; para EPE, problema é momentâneo

Por Phakamisa Ndzamela LONDRES (Reuters) - Novos projetos de usinas de etanol no Brasil estão sendo adiados devido ao crédito mais escasso, disse o presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, nesta terça-feira.

Reuters |

"Estão ocorrendo atrasos em vários projetos. Neste ano, nós tínhamos 35 novas unidades para entrar em produção e apenas 23 estão funcionando", afirmou Nastari à Reuters, após discursar na conferência da Organização Internacional de Açúcar (OIA), em Londres.

"No Brasil, no próximo ano (2009), a expectativa era de 43 novas instalações e esse número foi reduzido agora para a faixa de 22 a 25 (projetos)".

Ele acrescentou que uma eventual menor demanda por etanol, devido à crise, poderia ajudar a aliviar a apertada oferta no mercado brasileiro do biocombustível.

"Nós tivemos estoques muito apertados no final de abril no Brasil. Se nós tivermos uma redução na demanda por conta de queda na renda, isso ajudará a balancear a oferta e demanda de etanol no país".

Nastari negou temores de que consumidores fossem trocar etanol por gasolina com a queda dos preços do petróleo em dólares.

"Como os preços do petróleo abaixaram, a taxa cambial entre o real e o dólar mudou quase igualmente. Então, nós temos visto pouquíssimas mudanças no preço da gasolina", concluiu o presidente da Datagro.

DEDINI

A maior fabricante de equipamentos para usinas no Brasil, a Dedini, confirmou durante congresso internacional de biocombustíveis, em São Paulo, que a crise atrasou 20 por cento dos projetos novos ou em expansão, e 35 por cento das usinas que deveriam entrar em operação em 2011-12 também foram suspensas.

Entretanto, integrantes do governo avaliam que, se a crise inviabiliza alguns projetos de etanol por ora, o biocombustível "veio para ficar" e é viável mesmo com o barril de petróleo a 40 dólares

O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, também disse ter informações de que a escassez de crédito no mercado pode "engavetar" algumas novas usinas, mas ele acredita que o movimento seja pontual.

Tolmasquim avalia que no longo prazo não há ameaça para o etanol, uma vez que o combustível surge como a alternativa para os derivados de petróleo.

"Ele é muito competitivo mesmo com um barril de petróleo a 40 dólares. Não vejo ameaça. Ele veio para ficar", declarou a jornalistas, depois de participar do 8o Congresso Brasileiro de Energia, no Rio.

"É claro, como em todos os setores econômicos, que pode haver algum abalo no curto prazo nesse setor em razão do crédito. Mas o setor energético tem crédito do BNDES, ao contrário de outros setores que dependem do crédito bancário", acrescentou.

A autoridade da EPE alertou que a discussão internacional sobre a redução de emissões de gases do efeito estufa joga a favor do combustível brasileiro.

"A alternativa para combustível de veículo é o etanol. Os países colocam metas para o etanol. É um processo irreversível. Hoje ele já é competitivo e amanhã será mais ainda com a possibilidade do aproveitamento energético a partir do etanol. É uma solução estrutural."

(Com reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Inaê Riveras, em São Paulo)

(Edição de Roberto Samora)

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