Pode parecer impróprio levar uma câmera fotográfica para dentro de uma enfermaria de doenças cardíacas ou de crianças doentes. Em geral, ninguém gosta de lembrar dos dias difíceis de internação.

Mas um projeto de uma organização não-governamental (ONG) de São Paulo mostrou que pacientes e funcionários se sentem bem ao retratar as horas que passam juntos.

Desde 2006 a Imagem Mágica faz oficinas em hospitais, onde distribui câmeras digitais a pacientes e profissionais para que mostrem seu olhar sobre o cuidado da saúde. O trabalho é uma extensão do esforço de documentação fotográfica da saúde no País do fundador da ONG, o fotógrafo André François.

Já receberam as oficinas do projeto "Humanizando Relações" 39 hospitais de 20 Estados; 15 mil participantes produziram 20 mil imagens. Só no Hospital São Paulo, onde o projeto esteve entre outubro e dezembro, foram feitas 774 fotos.

“A ideia é as pessoas usarem a fotografia como ferramenta do olhar”, afirma a psicóloga Paula Coube, coordenadora do projeto, que tem patrocínio de um laboratório farmacêutico. Os pacientes respondem com fotos à pergunta: “O que é importante, o que ajuda?”

“Cada um usa a foto para o que considerar mais importante, o que faz a diferença. No início, achávamos que dentro do hospital ninguém gostaria. Mas, na verdade, as pessoas querem mostrar os vínculos formados, principalmente com as pessoas que cuidam”, afirma Paula. A equipe da ONG fica cerca de duas semanas em cada setor do hospital. Há também sessões de análise das fotos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE

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