Rendimentos por trabalho e por aposentadoria e pensões diminuem entre famílias mais pobres. ¿Outras fontes¿ tem forte crescimento

Os programas sociais mudaram consideravelmente o perfil de rendimento das famílias brasileiras mais pobres nos últimos 10 anos. A constatação é feita com base na pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2010 divulgada, nesta sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o estudo, a expansão recente de programas de transferência de renda focalizados na população mais pobre, como o Bolsa Família, e outros de âmbitos estadual e municipal, “vem contribuindo para uma redistribuição interna entre as diversas partes componentes do rendimento familiar total”. Como resultado, a pesquisa indica um aumento significativo das chamadas “outras fontes” na composição da renda das famílias brasileiras mais pobres, enquanto a proporção de rendimentos por trabalho e por aposentadoria e pensões estão em queda. 

Quando é analisado o total das famílias brasileiras, em 2009, os rendimentos de “outras fontes” representavam 5,0% do total de rendimento familiar; os rendimentos do trabalho correspondiam a 76,2%; e os rendimentos de aposentadoria e pensão, a 18,8%. Mas quando o foco do estudo muda para famílias com rendimento familiar per capita de até ¼ de salário mínimo, os rendimentos de “outras fontes” representavam 28%, em 2009, do total da renda familiar, ao passo que, em 1999, essa participação era de apenas 4,4%. 

Distribuição percentual dos rendimentos nos arranjos familiares com rendimento familiar per capita de até 1/4 do salário mínimo, segundo a origem dos rendimentos - Brasil - 1999/2009

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Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1999/2009

Entre os Estados, o Piauí lidera a relação de famílias com rendimento per capita de até ¼ de salário mínimo que mais possuem rendimentos vindos de “outras fontes” com 33,5%. Seguem o Piauí os Estados do Rio Grande do Norte, com 32,8%, e Pernambuco, com 32,6%. Os Estados que registram os menores valores são o Acre (18,8%), Rio de Janeiro (20%) e Paraná e Santa Catarina (20,3%). 

Redução na desigualdade

Segundo a pesquisa, as desigualdades de renda, apesar de ainda muito presentes no Brasil, têm mostrado uma tendência de redução que vem se consolidando com o passar dos anos. “Ao calcular a razão entre a renda familiar per capita dos 20% mais ricos em relação aos 20% mais pobres para o período de 2001 a 2009, a razão passa de 24,3 para 17,8, representando um ganho de mais de 6 pontos percentuais na redução da desigualdade”, descreve o estudo. 

Mais famílias menores e sem filhos

O estudo também indica que, nas últimas décadas, as tendências mais marcantes quanto a organização das famílias são as reduções do tamanho da família e do número de casais com filhos, e o crescimento do tipo de família formado por casais sem filhos. 

De 1999 para 2009, o número médio de pessoas na família caiu de 3,4 para 3,1. Entre as famílias mais pobres, com renda mensal per capita de até ½ salário mínimo, o número médio de pessoas por família chega a 4,2.

A pesquisa também mostra, neste período, um aumento na proporção de casais sem filhos (de 13,3% para 17,1%) e uma redução de casais com filhos (de 55% para 47,3%). As mulheres sem cônjuge e com filhos representavam 17,1% dos arranjos em 1999, chegou 18,1% em 2004 e recuou a 17,4% em 2009.

Sobrevivência

A auxiliar de serviços gerais Kelly Aparecida Batista tem 41 anos e nos últimos cinco utiliza o Bolsa Família para completar a renda de sua casa. O benefício foi repassado a ela após a morte de sua irmã. Hoje, Kelly cuida de seus 5 filhos, além de seus dois sobrinhos órfãos. "Esse tipo de benefício, dado pelo Governo, me ajuda a comprar produtos básicos para a casa, como roupa e comida para as crianças. Se eu não ganhasse esses R$ 111 eu não conseguiria dar o mínimo de conforto para eles", explica.

"Eu sou solteira e com o meu salário eu não conseguiria arcar com todos os custos da minha casa. Pode não parecer muito, mas para uma pessoa que ganha só um salário mínimo, esse dinheiro ajuda e muito", ressalta a auxiliar de serviços gerais.

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