bateram no teto , diz presidente da Todos pela Educação - Brasil - iG" /

Programas de alfabetização bateram no teto , diz presidente da Todos pela Educação

Em 2008, a taxa de analfabetismo se manteve praticamente estável no Brasil, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o presidente-executivo da organização Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, essa estagnação mostra que os programas nacionais de alfabetização chegaram a seu limite. ¿Estamos chegando a um ponto que parece que bateu no teto¿, constata.

Nara Alves, repórter do Último Segundo |

De acordo com Ramos, desde 1999 praticamente nada mudou no ponto de vista estatístico. Principalmente na 8ª série, português e matemática, nada melhorou de 1999 pra cá. Houve uma pequena melhora na 4ª série, mas não na velocidade que a gente precisa, afirma. Agora, a esperança da organização recai sobre o Plano de Desenvolvimento da Educação, do Ministério da Educação, que se propõe a melhorar a educação básica no País.

Para que o Brasil tenha um bom ritmo de erradicação do analfabetismo, a Todos pela Educação, que reúne diversos projetos de educação, defende maior envolvimento dos prefeitos. Os percentuais de analfabetismo são maiores nas áreas rurais do Nordeste e Norte, onde as pessoas moram distantes umas das outras. Se não houver uma estratégia para trazer esse pessoal, oferecendo merenda e transporte, por exemplo, será muito difícil vencer essa barreira.

Outros países da América Latina, como Cuba e Nicarágua, têm avançado muito mais na educação e já conseguiram vencer a batalha contra o analfabetismo. O Brasil, apesar do esforço do governo, não consegue pelo tamanho continental e pela localização, diluição da população, e ausência de prioridade, constata o presidente-executivo. Essa ausência de prioridade é facilmente verificada nas altas taxas de abandono dos programas educacionais. Não há controle de monitoramento da eficácia desses programas, cobra.

O pior dado apresentado pelo IBGE é que a educação no Brasil estagnou em um nível baixo, segundo Ramos. A população brasileira com 10 anos ou mais de idade tem em média 7,1 anos de estudo. No Nordeste, a média é de 5,9 anos, enquanto no Sudeste chega a 7,7. Isso é o fator responsável pelas próprias desigualdades sociais, diz. Para ilustrar o círculo vicioso da desigualdade provocada pelo baixo grau de instrução formal, Ramos lembra o estudo do economista Marcelo Nery, da Fundação Getúlio Vargas, que mostra que quando o pai tem curso superior, a chance do filho ser analfabeto é próximo de zero.

Veja os principais dados da Pnad 2008:

Leia mais sobre: Pnad

    Leia tudo sobre: analfabetismopnad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG