Programa do PT defende Estado forte e atual política econômica

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - O PT defende, nas diretrizes do programa de governo para os próximos quatro anos, o fortalecimento do Estado e ao mesmo tempo reafirma o compromisso do partido com a atual política macroeconômica, informou nesta quarta-feira o presidente da sigla, deputado Ricardo Berzoini (SP).

Reuters |

O documento foi definido na reunião da Executiva Nacional do PT nesta quarta e será colocado em votação no congresso do partido na semana que vem, entre os dias 18 e 21.

Berzoini alerta, no entanto, que as diretrizes serão apresentadas pelo PT a seus aliados, que conjuntamente irão definir o programa de governo a ser defendido pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). A pré-candidatura à Presidência da República da ministra será aclamada como postulante no evento, que também vai comemorar os 30 anos da sigla, completados nesta quarta-feira.

"O PT defende a estabilidade econômica e os fundamentos macroeconômicos que nos levaram a sair da crise que havia quando recebemos o governo", disse Berzoini a jornalistas, citando a gestão fiscal com meta de superávit primário, a instituição de uma meta de inflação e o sistema de câmbio flutuante.

"O tripé da política econômica continua o mesmo", sentenciou o deputado, que passa o bastão durante o congresso do partido para José Eduardo Dutra, eleito internamente no final do ano passado.

Para Berzoini, no entanto, as diretrizes do programa de governo não necessitam dar tanta ênfase a esse tema porque a atual conjuntura econômica é diferente dos cenários enfrentados pelo país no passado. Por isso, argumentou, as diretrizes do programa de governo precisam focar propostas para áreas que ainda demandam maior atenção, como saúde e educação.

Em relação às referências que o documento fará sobre o papel e o tamanho do Estado na economia e em outros setores do país, Berzoini destacou que o texto do partido advogará que o setor público precisa ter instrumentos para estar presente em todo o território nacional.

"Nós gostamos de um Estado aparelhado, o que não significa um Estado inchado... isso não é aumentar o peso, é dar o peso necessário. Não temos uma visão estatista, mas de um Estado que funcione."

ALIANÇAS

O deputado destacou que o texto é fruto de um debate interno do PT e não será automaticamente o programa de governo da pré-candidata da legenda. Segundo ele, o PT definirá o programa de governo de Dilma com todos os partidos que integrarão a coligação a ser liderada pela ministra.

"Obviamente, depois teremos que conversar com os partidos aliados para não fazer um programa de governo do PT e depois ter que negociar com os aliados durante o governo", ponderou Berzoini, acrescentando que a política de alianças prevê o diálogo com os partidos que fazem parte da base de sustentação do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

"Entendemos que a coalizão foi bem sucedida. O PT sabe que, se não fizer uma aliança, não vira uma alternativa de poder real."

O congresso do PT da semana que vem também deve dar uma sinalização política para que a direção nacional do partido tenha poder para intervir nas negociações com os aliados nos Estados em que as conversas não estiverem de acordo com o projeto nacional da legenda.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG