Professor diz que 17% dos cabeleireiros se tratam de danos do formol

Oitenta e nove por cento dos cabeleireiros do País admitem que já usaram formol para “alisar” o cabelo de suas clientes. A resposta para a insistência em submeter as madeixas a substância tóxica está em outra estatística: 17% destes mesmos funcionários estão fazendo tratamentos para corrigir os danos provocados pelo alisamento ilegal.

Agência Estado |

Os dados foram compilados pelo consultor e professor de estética Robson Trindade, durante congressos ministrados para 65 mil profissionais da área.

A parcela que tenta corrigir os efeitos nocivos do alisante vai ter trabalho. Em uma conta rápida, o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, João Roberto Antônio, lista oito problemas, resultantes do uso do formol. Anteontem, entrou para lista de vítimas uma menina de 11 anos, moradora de Sorocaba (interior). Ela teve a cabeça queimada e a família ameaça processar o salão de beleza onde o produto foi aplicado.

“Além da queimadura e da queda, o formol pode provocar alergias, inflamação das vias respiratórias, dermatites no couro cabeludo, retirar o brilho do cabelo, deixa os fios sem vida e opacos, sem contar que são cancerígenos”, alerta Antônio. Pela legislação sanitária, os alisantes só podem conter 0,2 g de formol, mas pesquisa feita pelo Instituto Adolfo Lutz mostrou que 52% das amostras avaliadas tinham concentração que superava em até 10 vezes o limite permitido.

“Sou completamente contra o uso de formol. Já fiz pronunciamentos em feiras internacionais em quatro idiomas diferentes sobre isso”, diz o Robson Trindade, que há 30 anos trabalha na área. “O que me consola é que como os estragos do uso já apareceram, as pessoas estão deixando a substância de lado. Outra novidade é que os cachos vão voltar com tudo. Até por isso que os cabeleireiros estão fazendo tratamentos de reversão do formol.”

Denúncias

Os males provocados pelo formol já são conhecidos e ainda assim solicitados pelas clientes. A conveniência ao uso está no número de denúncias feitas à Vigilância Sanitária Municipal. Apesar da capital paulista contar com mais de 40 mil salões de beleza, durante todo ano passado, os técnicos receberam apenas 70 denúncias do tipo. Em 2007 foram 100. Notificar é uma das únicas maneiras para os 118 “fiscais da beleza” agirem e punirem os salões. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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