Professor de Direito vai administrar UnB até as eleições para reitoria

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou na noite desta terça-feira que o professor de Direito da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Aguiar, assumirá a administração da universidade até as eleições do novo reitor, que deve ocorrer em um prazo de 90 e 180 dias.

Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias |


É com enorme satisfação que conduzimos o professor Aguiar à condição de reitor pro tempore da UNB. Nós o escolhemos por ter sido o mais votado na reunião do Consuni. Espero que ele possa solucionar em um curto espaço de temo à crise pela qual passa a universidade, disse Haddad. O ministro acrescentou ainda que a nomeação de Aguiar sairá no Diário Oficial da União (DOU) na próxima quarta-feira.

Segundo Haddad, a universidade de Brasília é um patrimônio nacional que deve ser conduzida de forma sábia. Mantendo respeito à comunidade e usando com sabedoria o poder da UNB, nós iremos construir o caminho da transição e da desocupação, ressaltou.

Na tarde desta terça-feira, o Conselho Universitário (Consuni) da Universidade de Brasília (UnB) definiu lista de três nomes para assumir a reitoria da instituição. O professor de Direito Roberto Aguiar, que teve o apoio dos estudantes, recebeu 40 votos do conselho. A professora Lourdes Bandeira, da cadeira de Ciências Sociais, obteve 31 votos e o professor da área de Administração Gileno Marcelino, teve 24 votos.

Durante a reunião do Consuni, Aguiar declarou ser imprescindível que todos os segmentos que compõem a instituição dialoguem. Não temos mais tempo para grupos, este é um momento de grandeza nossa, afirmou. Aguiar fez ainda críticas aos ocupantes da reitoria, que estão no prédio desde o dia 3 de abril. A universidade foi encampada por um grupo de que se fechou e não deixou a universidade funcionar, afirmou.

Os representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que lideram a ocupação da reitoria decidiram não defender nomes. Segundo os estudantes, a formação da lista tríplice foi baseada apenas nos currículos dos candidatos.

No domingo passado, o ex-reitor Thimoty Mulholland anunciou seu desligamento da instituição, juntamente com todo o corpo administrativo. Denúncias de irregularidades no uso de recursos públicos para a reforma do apartamento funcional do reitor provocaram protestos que levaram à renúncia.

"Não temos mais tempo para grupos"

Antes de ser nomeado pelo ministro, o professor Roberto Aguiar declarou ser imprescindível que todos os segmentos que compõem a instituição dialoguem. Não temos mais tempo para grupos, este é um momento de grandeza nossa, afirmou.

Aguiar pregou a união de todos em nome da universidade. Questionado sobre a paridade nas eleições para o novo reitor, atualmente a reivindicação central dos estudantes, o professor declarou que a demanda existe há pelo menos 50 anos.

Nós já defendíamos isso antes do golpe [militar], lembrou. Ele fez questão de frisar que defende as mudanças, mas destacou que elas não devem acontecer emocionalmente, mas sim racionalmente e democraticamente.

Apesar do discurso pela união, Aguiar fez críticas aos ocupantes da reitoria, que estão no prédio desde o dia 3 de abril. A universidade foi encampada por um grupo de que se fechou e não deixou a universidade funcionar, afirmou.

Ele também contestou a gestão de Thimoty Mulholland, que renunciou ao cargo após denúncias de irregularidades na aplicação de recursos públicos. Temos que erradicar qualquer tipo de desvio de conduta, enfatizou.

Aos jornalistas, Aguiar afirmou que a primeira coisa que pretende fazer é liderar o diálogo no prédio da reitoria e cuidar da parte administrativa. Sobre o local onde deve despachar, ele brincou: Por enquanto, no pátio.

Perfil

Roberto Aguiar atua na UnB desde 1989. No currículo, consta atuação como procurador geral na gestão do professor Antônio Ibãnez. Nessa mesma época, tornou-se professor do Instituto de Ciência Política e Relações Internacionais.

Depois disso, foi transferido para a Faculdade de Direito como professor titular de filosofia do direito. Entre os cargos públicos que já assumiu está o de secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro e, em 1996, o de consultor jurídico do governo Cristovam Buarque, no Distrito Federal, onde também assumiu a frente da Secretaria de Segurança Pública da capital federal.

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