Produtos têm sal e gordura acima do recomendado, aponta Idec

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor ( Idec) analisou 30 alimentos industrializados destinados a crianças e detectou teores de açúcar, sal e gorduras acima do ideal. Além disso, alguns apresentaram teores nutricionais acima do descrito na embalagem, o que pode levar o consumidor a exceder sua cota diária de gordura ou sódio.

Agência Estado |

“Selecionamos os produtos por terem grande apelo entre o público infantil. Muitos deles têm brindes e bichinhos na embalagem ou usam a imagem de personagens famosos”, explica Carlos Thadeu de Oliveira, gerente de informação do Idec e responsável pela pesquisa. Segundo a análise, o bolinho de morango Nhamy, da Nutrella, foi o que apresentou maior variação em relação ao valor no rótulo: 237,5% mais gordura saturada.

Em segundo lugar está o bolinho de baunilha e chocolate Gulosos, da Bauducco, com 114,3% mais gordura saturada que o registrado. “A legislação brasileira tem uma tolerância de até 20% de variação nos valores expressos, mas nesses casos a discrepância está muito acima do permitido”, afirma o gerente do Idec.

Ele destaca ainda que em alguns produtos que se apresentam como livre de gordura trans foi detectada a substância. “No rótulo do salgadinho de bacon da marca Magikitos consta 0%, mas foi encontrado 1,66 grama de gordura trans por porção.” Procurada, a empresa afirmou que “destaca na embalagem os valores nutricionais apurados em análises feitas por empresas qualificadas. Mas que vai analisar os laudos apresentados pelo Idec e, se realmente constar alguma desconformidade, corrigirá imediatamente”.

Esclarecimentos

A Bauducco “reitera seu compromisso com a qualidade e correção das informações sobre seus produtos, porém por não ter não ter acesso à avaliação realizada pela entidade, fica impossibilitada de prestar maiores esclarecimentos”. A Bimbo disse que a marca Nutrella foi adquirida recentemente e os produtos estão sendo reavaliados.

O excesso de sacarose, considerado o pior dos açúcares, foi outro problema apontado pelo Idec. “A legislação brasileira não obriga os fabricantes a discriminar, entre os carboidratos, o que é amido, o que é açúcar, mas nutricionistas recomendam que o açúcar não seja mais de 25% do consumo de carboidratos”, explica Oliveira. No quesito sal, diversas marcas de salgadinhos ultrapassaram, na porção de 100 gramas, o recomendado para o consumo diário. Os piores resultados para gorduras saturadas ficaram com Ruffles original e Pringles bacon. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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