Produtoras independentes criarão séries para TVs públicas

SÃO PAULO - A partir de 2010 entram no ar as primeiras séries de teledramaturgia nas grades das emissoras públicas, resultado do projeto FICTV, uma nova etapa do projeto Mais Cultura, do Ministério da Cultura. O FICTV foi anunciado nessa terça-feira (9) em solenidade na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Ao total, serão destinados R$ 7 milhões para selecionar e produzir séries de ficção destinadas ao público jovem de classes econômicas C, D e E.

Agência Brasil |

Uma comissão julgadora fará a qualificação dos projetos em duas etapas: na primeira, seleciona 30 roteiros. " Depois escolheremos oito projetos para gravar um programa piloto [experimental] e, cada um receberá R$ 250 mil para produção", explica Silvio Da Rin, secretário de audiovisual do Ministério da Cultura. No ano que vem, oito programas serão exibidos nas TVs públicas; uma pesquisa qualitativa selecionará dois a três programas que se tornarão séries de 13 capítulos de 26 minutos cada em 2010. "Cerca de R$ 5 milhões serão destinados para a produção das finalistas", diz.

"A ficção é o que estava faltando para completar o projeto de diversidade da TV Brasil", comenta Paulo Rufino, diretor geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Em sua visão, é importante "promover a teledramaturgia para as classes C, D e E como um exercício a cidadania". As séries serão exibidas em horário nobre de acordo com seu conteúdo, respeitando a classificação indicativa.

Segundo Silvana Meireles, secretária de Articulação Institucional e coordenadora executiva do projeto Mais Cultura, o público foi escolhido após um fórum de teledramaturgia que se realizou em São Paulo. "Consultamos especialistas que nos apontaram a carência de produções para os jovens", afirma. Silvana conta que o FICTV não é apenas um incentivo à cultura. "O programa faz parte de um plano de ação social do governo".

Para a professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo, Dora Mourão, criar teledramaturgia é uma forma de promover a identificação de um povo. "Nos programas de ficção as pessoas conseguem se reconhecer, é importante para a criação da identidade e cultura de uma nação", diz.

Dora, que também é presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca, explica ainda que a TV é importante neste processo de construção de identidade e que o FICTV dá a oportunidade de criar novos formatos. "A TV pública, que não tem compromissos econômicos, pode abrir novas possibilidades na teledramaturgia brasileira. Somos capazes de fazer algo diferente do que as TVs comerciais fazem", acredita.

De acordo com Antonio Achilles, presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), o FICTV quebrará a hegemônia de produção no eixo Rio-São Paulo. "O edital dá oportunidades iguais para produtores de todo o país e vai acabar com a ditadura de que só Rio de Janeiro e São Paulo podem levar cultura para o Brasil", pontua. Para Achilles, há profissionais competentes em todo o território nacional dispostos a produzir conteúdo de qualidade. "Queremos que as séries façam inveja às TVs comerciais", ressalta.

Da Rin não descarta ainda a possibilidade de exportar as séries. "Não há nenhum impedimento para isso e colocamos no edital que os direitos de autores, produtores e atores serão garantidos caso isso aconteça", finaliza.

As inscrições serão abertas na próxima segunda-feira (15), quando o edital do FICTV será publicado. Os roteiros das séries não precisam necessariamente ser originais- adaptações são válidas desde que tenham a cessão de direitos do autor- e poderão ser inscritos até o dia 15 de março de 2009 no site do programa.

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