Produções nacionais abrem o 36º Festival de Cinema de Gramado

GRAMADO - Dois longas-metragens brasileiros com personagens femininas às voltas com relacionamentos auto-destrutivos inauguraram, na noite deste domingo (10/08), a programação do 36º Festival de Cinema de Gramado, que acontece na serra gaúcha até o próximo sábado. ¿Dias e Noites¿, de Beto Souza, foi exibido fora da competição, enquanto ¿¿Nome Próprio¿, de Murilo Salles (que já está em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro) abriu a série de produções que concorrerão ao kikito de melhor filme.

Fabio Prikladnicki |

A noite teve início com uma homenagem especial a Renato Aragão, com direito a uma placa descerrada no hall do Palácio dos Festivais. No palco, o ator se emocionou ao agradecer à esposa e aos filhos - e também a Oscarito. Uma pessoa muito especial que me fez fazer cinema, relembrou.

No discurso, Aragão reclamou da dificuldade de competir com os blockbusters internacionais por espaço nas salas de exibição do país e não perdeu a oportunidade de fazer piada. Fez cara de quem não entende quando a apresentadora Renata Boldrini listou as especificações técnicas do notebook que ganhou de presente de um dos patrocinadores do festival e olhou feio, de brincadeira, para a assistente de palco que tentou ajudá-lo a segurar o kikito especial que recebeu por sua obra cinematográfica. O troféu foi um reconhecimento ao artista que esteve envolvido em mais da metade das dez maiores bilheterias da história do cinema brasileiro. Terminou aplaudido de pé.

Os dois filmes da noite também empolgaram a platéia, apresentando uma curiosa semelhançça temática: ambos mostram as desventuras de mulheres - Clotilde (Naura Schneider), em Dias e Noites, e Camila (Leandra Leal) em Nome Próprio - que têm envolvimentos destrutivos em troca de sustento financeiro. A diferença da época em que se passam as histórias (entre as décadas de 40 e 70, no primeiro, e no início dos anos 2000, no segundo) parece, inclusive, atualizar o enredo.

As semelhanças, no entanto, param por aí. O longa de Beto Silva tem uma narrativa tradicional, permanecendo em um meio-termo entre a denúncia de violência conjugal e a repetição do estereótipo da mulher arrivista que se vale de seus encantos para ganhar a vida. Clotilde, a protagonista, deita-se com praticamente todos os homens que conhece no decorrer da história, exceto o irmão.

Inspirado em textos da escritora Clarah Averbuck, o filme de Murilo Salles, por outro lado, utiliza uma narrativa perturbadora para contar a história de uma jovem blogueira, dos tempos da internet com linha discada, que planeja escrever um livro. Sua atividade principal é cultivar relacionamentos conturbados que terminam sempre com um ritual de auto-comiseração: a jovem, em frente a uma tela de computador, em um apartamento que não é seu, filosofando sobre a vida e a arte da escrita. Destaque para a intensa atuação de Leandra Leal, no papel de Camila, assim como a qualidade que o diretor conseguiu obter das demais performances.

O 36º Festival de Gramado segue com a apresentação, nesta segunda-feira, dos filmes Por sus Propios Ojos, produção argentina dirigida por Liliana Paolinelli, e Vingança, de Paulo Pons.

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