Produção industrial de maio reforça sinais de recuperação

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A produção da indústria brasileira subiu mais que o esperado em maio frente ao mês anterior, novamente beneficiada pelo categoria de bens de consumo duráveis. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira que a produção subiu 1,3 por cento em relação a abril, no quinto resultado positivo consecutivo nessa comparação.

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O desempenho supera a mediana de 24 projeções de analistas consultados pela Reuters, que sugeria expansão de 0,4 por cento.

O IBGE ainda revisou o dado de abril de alta de 1,1 por cento para crescimento de 1,3 por cento frente ao mês imediatamente anterior.

Frente a maio de 2008, houve queda de 11,3 por cento na produção --mantendo uma sequência de sete meses de taxas negativas nesse confronto. Neste caso, o resultado também foi um pouco melhor que a retração esperada, que era de 12 por cento.

"Os resultados da produção industrial de maio reforçam os sinais de recuperação no ritmo da atividade fabril", destacou o IBGE em nota.

Na passagem de abril para maio, todas as categorias de uso melhoraram o ritmo de produção, sendo que os bens de consumo duráveis lideraram com crescimento de 3,8 por cento, seguidos por bens de consumo semi e não-duráveis (1,3 por cento) e bens intermediários (1,2 por cento).

Os bens de capital, com expansão de 0,7 por cento, ficaram abaixo da média de crescimento de 1,3 por cento.

O avanço na produção atingiu 20 das 27 atividades, com destaque para a indústria farmacêutica, de veículos automotores e metalurgia básica.

DEMANDA INTERNA

Na comparação com maio do ano passado, todas as categorias de uso registraram decréscimo, com bens de capital registrando a maior queda, de 22,8 por cento. A produção de bens duráveis caiu 13,7 por cento, os bens intermediários recuaram 13,8 por cento e os bens de consumo semi e não-duráveis cederam 1,8 por cento.

Entre as atividades, a queda na indústria refletiu o comportamento negativo de 22 das 27 pesquisadas, com destaque para o impacto da retração de 28,0 por cento de máquinas e equipamentos.

Com base no índice de média móvel trimestral, a indústria geral acumulou, de fevereiro a maio deste ano, crescimento de 4,2 por cento --com bens de consumo duráveis aumentando 22,7 por cento, bens intermediários expandindo 3,7 por cento e bens de consumo semi e não-duráveis, 3,2 por cento. A exceção foi bens de capital, com perda de 5,9 por cento.

"Esse perfil de desempenho sugere que o fator de peso na recuperação de 2009 está associado a setores relacionados à demanda interna, enquanto os segmentos produtores de bens de capital e para exportação continuam pressionando negativamente", avaliou o IBGE.

No acumulado do ano, a atividade industrial acumula queda para 13,9 por cento. Em 12 meses, a queda é de 5,1 por cento, no pior resultado desde o início da série histórica, em 1991.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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