Produção em Hollywood segue normal; sindicato ainda negocia acordo

Fernando Mexía Los Angeles (EUA.), 2 jul (EFE) - Hollywood reagiu com tranqüilidade perante a incerteza de uma possível greve de atores e continua produzindo, à espera do resultado da reunião de hoje entre o sindicato e os estúdios sobre a última proposta de acordo.

EFE |

O Screen Actors Guild (SAG), sindicato majoritário, se sentará de novo hoje à mesa de negociações com as produtoras, representadas pela Alliance of Motion Pictures and Television Producers (AMPTP), para responder à oferta final feita pela indústria na segunda-feira passada, quando expirou o contrato anterior.

As expectativas de que termine o conflito trabalhista após este encontro são, no entanto, muito pequenas.

A direção do SAG já demonstrou sua rejeição à proposta horas após conhecer o documento, qualificado de "o último, melhor e definitivo" pela AMPTP, apesar de a central sindical ter preferido esperar para analisar em detalhes seu conteúdo antes de dar uma resposta.

A oferta se parece com a que o segundo maior sindicato de atores em número de filiados, a American Federation of Television & Radio Artists (AFTRA), aceitou, e que foi frontalmente rejeitada pelo SAG, que a considerou insuficiente.

O SAG iniciou uma campanha para evitar que os membros da AFTRA ratifiquem esse convênio em votação.

A crença geral em Hollywood é a de que este sindicato buscará ganhar tempo e prolongar suas conversas com a AMPTP até 8 de julho, quando será anunciado se os filiados da AFTRA, muitos deles também membros do SAG, estão ou não de acordo com o novo convênio.

Em caso negativo, o SAG veria reforçadas suas posições e se sentiria com forças para convocar uma greve se fosse necessário, algo que, no atual contexto, não parece uma opção realista.

O SAG precisaria do apoio de 75% dos filiados para levar à frente a paralisação, um respaldo que é difícil de alcançar principalmente depois do prejuízo econômico causado pela recente greve de roteiristas, a qual deixou o setor pouco favorável a um protesto.

A AMPTP conta com esse trunfo, já que deixou evidente em mais de uma ocasião seu desacordo com o SAG, ao qual acusou de não ter vontade de chegar a um acordo, enquanto insistiu em que sua proposta foi válida para os outros quatro sindicatos.

Os estúdios optaram por se manter firmes na disputa trabalhista e responderam às ameaças de greve com números.

A oferta de Hollywood garantiria um aumento salarial de US$ 250 milhões para o coletivo de atores em três anos, enquanto uma greve brusca no setor suporia perdas ao ritmo de US$ 29 por segundo e mais de US$ 2,5 milhões ao dia, segundo a AMPTP.

O SAG se defendeu, alegando que a proposta da AMPTP não cumpre as expectativas em relação aos lucros derivados dos novos formatos de difusão, nem dobra o montante recebido pela comercialização de DVDs.

Além da greve dos atores, outra opção que foi ganhando força à medida em que passavam os dias sem um acordo seria um fechamento patronal, uma jogada dos estúdios que, se não der certo, poderia dar ao SAG as razões das quais precisa perante seus filiados para iniciar a paralisação.

Enquanto se busca uma saída à disputa trabalhista, Hollywood continuou funcionando a um ritmo maior que o esperado para uma época de incerteza e os atores seguiram trabalhando sob as condições fixadas pelo convênio que expirou na segunda.

A gravação de séries populares, como "Prison Break", "24 horas", "Heroes" e "90210", a nova versão de "Barrados no Baile", manteve seu cronograma de produção.

O mesmo ocorreu com filmes como "Night at the Museum: Battle of the Smithsonian" da Fox; "Angels & Demons" da Sony; "Terminator Salvation: The Future Begins", da Warner; ou "Transformers 2: The Revenge of the Fallen", de Paramount e DreamWorks. EFE fmx/db

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