Produção argentina marca segundo dia no Palácio dos Festivais, em Gramado

GRAMADO - O filme ¿¿Por sus Propios Ojos¿, que abriu a segunda noite do 36º Festival de Gramado, nesta segunda-feira (11/08), foi também o primeiro dos cinco longas-metragens estrangeiros da mostra competitiva a ser exibido.

Fabio Prikladnicki |

A produção, dirigida pela argentina Liliana Paolinelli, conta a história de Alicia (Ana Carabajal), uma estudante de cinema que realiza, junto com uma amiga, um documentário sobre mulheres de presos. Ela se aproxima de Elsa (Luísa Núñez), mãe de um sujeito que espera, encarcerado, por julgamento por um suposto delito, e acaba conhecendo o lado de dentro das prisões não apenas pelos depoimentos das mulheres, mas principalmente com seus próprios olhos (daí o título da película).

Longe de ser um filme dentro do filme, o documentário que acontece na ficção é o meio para uma relação ambivalente entre Alicia e seus objetos de investigação. No final, as coisas tomam um rumo inesperado até mesmo para a protagonista. O elenco do filme conta, também, com uma ganhadora de um kikito, Mara Santucho, que há dois anos dividiu o prêmio de melhor atriz de longas latinos com outras três colegas do também argentino Quatro Mujeres Descalzas, de Santiago Loza.

O longa que fechou a noite no Palácio dos Festivais, o brasileiro Vingança, confirmou as boas expectativas. Estréia do diretor Paulo Pons, o filme representa um padrão diferenciado de produção cinematográfica que preza por um baixíssimo orçamento (o custo foi de apenas R$ 80 mil). Ao invés de propor uma nova estética, a exemplo do Dogma 95 idealizado por cineastas dinamarqueses, a idéia aqui não é provar nenhuma tese, mas indicar um caminho possível para a consolidação de uma indústria de filmes. O resultado mostra que isso é possível. Este é o primeiro dos quatro títulos que a produtora Pax Filmes - da qual Pons é um dos sócios - promete colocar em circulação.

Vingança é uma trama de suspense muito bem urdida, como poucas vezes se vê. Tão bem urdida que qualquer detalhe a mais revelado em uma sinopse pode estragar as surpresas da história - cujo desfecho, até a cena final, permanece insuspeitado. A narrativa vai, aos poucos, revelando o que há de comum entre uma jovem que é vítima de um estupro em uma cidade do interior gaúcho, um rapaz que segue uma moça no Rio de Janeiro e, ainda, um outro personagem que os observa.

A segunda noite do 36º Festival de Gramado contou com uma homenagem ao ator Breno Mello, que morreu há exatos trinta dias. Com uma carreira meteórica, ele foi o protagonista do clássico Orfeu Negro (1959), de Marcel Camus, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, no ano de estréia, e o Oscar de melhor filme estrangeiro no ano seguinte. Um documentário sobre sua vida, intitulado A Descoberta de Orfeu, com direção de Rene Goya Filho e Alexandre Derlam, será produzido em 2009.

A outra homenagem da noite foi para os dez anos da Fundacine, entidade de fomento a projetos cinematográficos e audiovisuais realizados no Rio Grande do Sul.

O festival continua, nesta terça-feira, com o início da mostra de curtas-metragens, a seqüência da mostra de longas e uma homenagem ao ator Walmor Chagas.

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