Procuradoria denunciará 4 militares por homicídio no Rio

RIO DE JANEIRO - O tenente do Exército Vinicius Gidhetti de Moraes Andrade, o 1º sargento Leandro Maia Bueno e os soldados Fabiano Eloi dos Santos e José Ricardo Rodrigues de Araújo serão denunciados nesta sexta-feira por triplo homicídio qualificado pelos procuradores da República junto ao juízo da 7ª Vara Federal Criminal.

Agência Estado |

Os sete militares que os acompanharam ao Morro da Mineira, onde entregaram aos traficantes os três jovens moradores do Morro da Providência, serão acusados de co-autoria, por terem se omitido quando podiam evitar os assassinatos. Apesar da diferença, as penas a que estão sujeitos - de 12 a 30 anos por morte - são iguais para todos.

AE/Wilton Junior
Militares patrulham o Morro da Providência
O advogado João Tancredo, representante das famílias dos jovens mortos, recebeu ontem os documentos do processo criminal e vai entrar hoje com uma ação ordinária de reparação de danos materiais e morais. Também será requisitado tratamento médico imediato aos parentes e pagamento das despesas com o funeral e sepulturas perpétuas.

Os procuradores se convenceram da responsabilidade dos militares pelos assassinatos de Wellington Gonzaga da Costa, David Wilson Florenço da Silva e Marcos Paulo Rodrigues Campos, com base no diálogo entre o tenente Gidhetti e os jovens, no caminho para o Morro da Mineira, em uma parada no sambódromo, reproduzido nos depoimentos dos militares. O tenente foi à caçamba do caminhão e questionou os jovens se estavam arrependidos. Um disse: Não. Tô gostando.

O oficial anunciou que eles seriam entregues aos traficantes e admitiu que poderiam morrer. Como nenhum dos demais militares fez nada para evitar a consumação do fato, eles responderão por omissão. Na denúncia, o sargento Maia será apontado como responsável pela negociação com os traficantes. O soldado Rodrigues como quem levou o grupo até o Morro da Mineira e seu colega Fabiano será responsabilizado por ter evitado que um dos jovens fugisse. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

(com informações da Agência Brasil)

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