A procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, especializada no combate a crimes financeiros e lavagem de dinheiro, lamentou ontem a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF 3), que sábado mandou soltar todos os investigados da Operação Castelo de Areia. Ela rechaçou viés político na investigação e destacou que os pedidos de prisão contra executivos da empreiteira Camargo Corrêa e doleiros “não tiveram como fundamento supostas doações ilegais a partidos, mas amparo em fartas provas de crimes financeiros e de lavagem”.

Karen informou que, se ilícitos eleitorais forem identificados nessa etapa da apuração - análise de documentos apreendidos -, essa parte do caso será deslocada para o Ministério Público Eleitoral. Ela também rebateu críticas de advogados sobre a ação da Polícia Federal nas salas do departamento jurídico da Camargo Corrêa. “Uma manifestação legítima, porém descabida em termos legais. O legislador não visou criar uma inviolabilidade absoluta e incondicional, sob pena de criar exceção inconstitucional. A Lei 11.767/08 não excetua a sala do advogado ou departamento jurídico como reduto inviolável de possíveis ações policiais. Quem garante que no escritório de advogado em qualquer empresa, cujos diretores estão sob investigação, não estão sendo guardados documentos e mídias que possam eventualmente representar ilegalidade das operações investigadas?”

A procuradora afirmou que a PF seguiu rigorosamente todos os dispositivos legais. “O conjunto probatório que consta dos autos, lamentavelmente, não foi levado, na sua integralidade, ao conhecimento do TRF, que decidiu liminarmente pela liberação dos diretores da Camargo Corrêa. O mesmo se dá com relação ao Supremo Tribunal Federal, que, segundo a imprensa, sem ter tido acesso aos autos, estaria por meio de alguns ministros veiculando prejulgamentos contrários à deflagração da operação. Isso causou grande consternação no Ministério Público.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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