Os procuradores da República encarregados de analisar os crimes cometidos pelos 11 militares do Exército já decidiram não ratificar a denúncia apresentada pelo promotor estadual Marcos Cak ao juiz Sidney Rosa da Silva, do 3º Tribunal do Júri. Por entender que o crime envolve servidores da União, o magistrado encaminhou o caso à Justiça Federal.

Segundo apurou o jornal "O Estado de S. Paulo", os procuradores, após uma leitura superficial do inquérito, acham que a denúncia do Ministério Público Estadual é sucinta. Seria preciso detalhar a participação de cada militar no crime. Na verdade, o promotor Cak cometeu equívocos e deixou de especificar a conduta de dois denunciados - o 3º Sargento Bruno Eduardo de Fátima e o soldado Rafael da Costa Sá.

AE/Wilton Junior
Militares patrulham o Morro da Providência
Na sua denúncia, o promotor deixou de citar detalhes da apuração, como o fato de o tenente Ghidetti, ao entregar os jovens, ter apertado as mãos de um criminoso e dito a frase Aqui está um presentinho pra vocês, como descreveu o delegado Ricardo Dominguez Pereira, da 4ª Delegacia Policial, no relatório final do inquérito.

Apesar de não usarem a denúncia estadual, os procuradores já entraram em entendimento com a promotora estadual Márcia Velasco, da Central de Inquéritos, para que ela e o delegado Dominguez continuem colaborando na investigação. A expectativa é de apresentar a nova denúncia até sábado. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

(com informações da Agência Brasil)

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