Procurador da União tentou tirar nome de site da Justiça

Preocupado com o desgaste que poderia sofrer ante a divulgação da denúncia da Procuradoria da República, que o acusa de integrar quadrilha, o procurador-geral da União, Jefferson Carús Guedes, tentou excluir seu nome do site da Justiça Federal. Não teve êxito.

Agência Estado |

Em pedido que fez à 4ª Vara Criminal Federal, em abril, Guedes destacou que a ação corre sob segredo. "A medida assecuratória (sigilo) foi mantida pela decisão que recebeu a denúncia e que terceiros efetivamente não terão acesso a nenhum documento sigiloso constante dos autos", assinalou a Justiça.

"Contudo, o que postula o requerente é a exclusão da existência do processo em relação aos nomes dos réus, retirando-o do sistema eletrônico da Justiça e, assim, de eventuais certidões. Incabível o deferimento. O sigilo processual não abarca a constatação da existência da ação penal e do nome dos acusados, pois estes dados não são sigilosos", afirma ainda.

Guedes deixou o cargo ontem, no mesmo dia em que o Estado revelou que ele é acusado de formação de quadrilha em processo criminal que corre na Justiça Federal. Ele alegou que a iniciativa tinha o objetivo de poupar a Advocacia-Geral da União (AGU). Em nota em sua página de notícias na internet, a AGU endossou a versão. Informou que ele pediu demissão na tarde de ontem para "evitar que se cause qualquer desgaste à Advocacia-Geral da União".

No pedido de exoneração, Guedes afirma que é inocente das acusações que pesam contra ele no processo e esclarece que pediu demissão porque não existe a hipótese de licenciamento do cargo. Ele ressalta que a tramitação da ação contra ele foi suspensa por liminar do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região.

De acordo com a reportagem, o processo contra Guedes é resultado de desdobramentos da Operação Perseu, realizada pela Polícia Federal em 2004. Na ocasião foram presos 12 auditores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e empresários de 8 Estados. Conforme as investigações, há suspeitas de fraudes na Previdência de cerca de R$ 100 milhões. Guedes era na época procurador-geral do INSS. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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