Ao encher balões com ar, mergulhadores perceberam que estavam na posição errada. Operação continua nesta sexta-feira

A operação de reflutuação do barco que afundou no Lago Paranoá, em Brasília no último domingo (22), apresenta complicações e vai demorar mais do que o esperado. Ao longo do dia, 30 mergulhadores se revezaram para amarrar balões de ar que ajudariam na flutuação do barco. Mas quando começaram a encher os balões, eles perceberam que um deles não estava numa posição adequada.

Por causa disso, a operação prevista para acabar hoje foi suspensa às 17h30 e continua nesta sexta-feira com chances de ser estendida para o final de semana. No início dos trabalhos de amarração dos balões, a Major Vanessa Signalli do Corpo de Bombeiros afirmou que a reflutuação deveria acontecer até às 18h. Hoje também foram divulgadas as primeiras imagens submarinas do barco. Veja abaixo :

Somente às 16h os mergulhadores terminaram de amarrar os quatro balões e começaram a enchê-los com cilindros de ar e mangueiras. Foi quando eles perceberam que dois deles não foram amarrados numa posição adequada e por isso se viraram para a parte interna da embarcação submersa.

Nesta sexta-feira, o trabalho recomeça às 7h com a retirada e reposicionamento dos balões com problemas. Eles estão amarrados a proa e juntos pesam quatro toneladas. Se correr tudo bem, o rebocador deve puxar a embarcação pela proa e levá-la até a margem do lago.

“Teremos que primeiro corrigir a posição deste balão para verificar se teremos que mudar a posição dos outros para que fiquem balanceado com o primeiro”, afirma o delegado fluvial de Brasília, Rogério Leite, sem especificar qual balão foi colocado de maneira errada.

Os balões que ajudam na reflutuação do barco suportam de 500 quilos a seis toneladas de ar, mas não devem ficar completamente cheios. O plano inicial dos bombeiros é colocar dois deles na ponta da embarcação pesando no total quatro toneladas. Nas laterais ficarão presos outros dois balões que pesam 1 tonelada juntos.

A intenção é estabilizar os pontos mais frágeis do barco para que ele volte inteiro à superfície. Se for danificado durante a retirada, a perícia terá o trabalho extra de identificar o que foi danificado no naufrágio ou no içamento.

Entenda a operação

Tentativa frustrada de içar barco que afundou no Lago Paranoá, em Brasília
Antonio Araújo
Tentativa frustrada de içar barco que afundou no Lago Paranoá, em Brasília
Por volta de 11h, começou a primeira etapa da operação em que mergulhadores amarraram balões de ar vazios na embarcação. Cinco horas depois, outros mergulhadores do Corpo de Bombeiros começaram a inflar os balões ao poucos usando cilindros de ar e mangueiras. Paralelamente, aconteceu o trabalho de prender ao barco uma corrente amarrada em um rebocador.

Ao perceber que um dos balões não estava em posição ideal, os mergulhadores suspenderam o enchimento dos outros três. É possível que ele seja desamarrado e colocado novamente.

Os bombeiros esperam que assim que os balões estejam cheios, o barco se desprenda do fundo do lago. Com os dois balões inflados hoje, o barco, que estava inclinado já está na posição vertical, ainda que preso ao fundo.

Amanhã os bombeiros vão reposicionar os balões com problemas e inflar os outros para que a embarcação comece a flutuar. Os mergulhadores podem colocar um colchão de ar embaixo dela para que a ponta não sustente sozinha todo o peso e corra o risco de se quebrar.

Outra possibilidade é colocar novos balões para levantar a popa. Há ainda uma terceira forma de levantar a traseira do barco: usar um guincho preso à uma das margens do rio.

Perícia

O local para onde o barco Imagination, que naufragou, será levado ainda não foi definido. Mas, de acordo com o Comandante da Delegacia Fluvial de Brasília, Rogério Leite, é provável que seja a base de trabalhos dos bombeiros, no clube da Associação de Servidores de Câmara dos Deputados (Ascade) ou em um terreno ao lado.

“O barco vai subir com sua capacidade de flutuabilidade prejudicada, então temos que trazer rápido para a margem mais próxima para que ele não afunde de novo”, afirma o Comandante da Leite. A Ascade fica a cerca de 300 metros do ponto do naufrágio.

Após o içamento, a Marinha deve identificar e devolver objetos pessoais que vem sendo recolhidos na embarcação nos últimos dias. Os peritos devem concluir uma investigação sobre as causas do acidente em até 90 dias. Dois engenheiros da Marinha já trabalham com fotos e vídeos feitos por mergulhadores.

Segundo o Comandante Leite, a perícia trabalha com as possibilidades de má distribuição de carga, rachaduras nos tubulões – tipo de bóia que fica embaixo do barco – e com superlotação. O barco tinha capacidade máxima para 92 passageiros, mas acredita-se que pelo menos 102 estavam a bordo. Entre eles, 93 foram resgatados com vida, 8 corpos foram encontrados e um bebê encontrado não resistiu.

“O acidente não teve uma causa específica, mas foi provocado por uma conjunção de fatores. Só a perícia poderá determinar a importância de cada um”, diz o Comandante Leite.

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