Privilégios de um membro da ABL vão além da imortalidade

Um chiste atribuído a Olavo Bilac diz que se é imortal porque não se tem onde cair morto. Os benefícios de um imortal da Academia Brasileira de Letras, no entanto, mostram que a realidade é bem diferente. Ocupar uma cadeira na ABL significa prestígio, um excelente plano de saúde e um mausoléu na Academia. Mas os privilégios vão além: as contas bancárias de alguns acadêmicos chegam a engordar entre R$ 20 mil e R$ 25 mil por mês.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

É só fazer as contas. Cada imortal tem direito a duas vagas de automóvel no centro do Rio, onde fica a sede da ABL, um jeton de R$ 1 mil por cada sessão das quintas-feiras e mais R$ 1 mil pela presença nas conferências das terças-feiras. (O comando da ABL costuma isentar os acadêmicos da exigência da presença para ter direito à verba.) A Academia ainda deixa um táxi à disposição para os acadêmicos se locomoverem até o centro do Rio. Adicione-se a isso um salário em torno de R$ 2.500 para aqueles que ocupam um cargo na diretoria.

Mas o mais rentável é a facilidade que um integrante da ABL tem de publicar seus livros e participar de rentáveis eventos culturais. Nisso um acadêmico calcula que a verba pode crescer algo entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. É uma atração a mais para escritores que não conseguem vender bem. Há quem não precise desse empurrão, como João Ubaldo Ribeiro, Paulo Coelho e Lygia Fagundes Telles.

Para outros, contudo, como o cirurgião plástico Ivo Pitanguy e o presidente do Senado, José Sarney, estar na ABL significa prestígio intelectual. Outros são mais modestos ¿ ao ser eleito em 1999, Roberto Campos (1917-2001) afirmou com sua ironia habitual: A Academia tem tudo que eu preciso na minha idade: hospital e cemitério.

A ABL é uma entidade rica. Sua principal fonte de renda vem do aluguel de diversos imóveis de sua propriedade (muitos doados) no centro do Rio e em outras cidades brasileiras.

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