Primeira edição brasileira do Grammy Latino é marcada por erros e shows ruins

SÃO PAULO ¿ O esforço para popularizar o Grammy Latino no Brasil teve um novo capítulo nesta quinta-feira, quando aconteceu a nona edição do prêmio. Pela primeira vez, parte da cerimônia foi realizada fora dos Estados Unidos. No caso, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, onde foram anunciados os vencedores das categorias exclusivas da música brasileira.

Carlos Augusto Gomes |

Acordo Ortográfico A TV Bandeirantes, que não só transmitiu como produziu a versão brasileira da festa, não poupou esforços: chamou Marcelo Tas e Daniela Cicarelli como apresentadores e personalidades como Sandy, Adriane Galisteu e Daniela Mercury para anunciar alguns prêmios, e ainda teve gente como Chitãozinho e Xororó, Pitty e Sepultura se apresentando ao vivo.

O objetivo foi claro: fazer frente ao mais popular prêmio de música do país, o VMB da MTV Brasil. Mas, a julgar pela primeira experiência, falta muito para chegar lá. Foram vários os problemas da cerimônia. O pior deles foi quando Seu Jorge foi anunciado vencedor na categoria melhor álbum de música tradicional regional, à qual ele nem sequer concorria.

Seu Jorge na verdade foi o ganhador do prêmio de melhor álbum de MPB. Mas, por causa de um engano da organização do evento, o envelope com seu nome foi entregue no anúncio da categoria errada. Os verdadeiros vencedores foram Chitãozinho e Xororó.

Os shows também não ajudaram. O Sepultura, por exemplo, fez uma versão voz e violão do clássico da Bossa Nova "Garota de Ipanema". Deveria ser inusitado, mas foi apenas constrangedor. Assim como a desafinada versão de Sandy e Paula Toller para "E o Mundo Não se Acabou", no que deveria ser uma homenagem a Carmen Miranda.

Cantora gospel Soraya Moraes ganhou três
prêmios, inclusive melhor canção brasileira / AP

Mas uma boa parcela da culpa pelo fracasso da versão brasileira é do próprio Grammy Latino. É que tanto os vencedores e indicados quanto as próprias categorias são definidos nos Estados Unidos. Ou seja, bem distante do gosto e da opinião dos brasileiros.

Isso ficou bem evidente na escolha de "Som da Chuva" como melhor canção brasileira do ano. A música é praticamente desconhecida por aqui, mas, como é interpretada por Soraya Moraes ¿ cantora gospel famosa na América Latina ¿, saiu vencedora.

Nas categorias gerais do Grammy, anunciadas em Houston, o Brasil saiu praticamente de mãos abanando. Com exceção da campeã Soraya Moraes (Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Espanhola e em Língua Portuguesa), o país só venceu na categoria Melhor Engenharia de Gravação, para "Dentro do Mar tem Rio ao Vivo", de Maria Bethânia.

Esses três prêmios foram divulgados antes da cerimônia oficial começar, porque são considerados menos importantes. Na festa principal, o Brasil perdeu em tudo: revelação (Roberta Sá e Diogo Nogueira), cantor (Djavan e Gilberto Gil) e álbum de jazz (Paulo Moura).

Veja abaixo a lista de ganhadores brasileiros no Grammy Latino:

Melhor álbum pop contemporâneo brasileiro
Vanessa Da Mata, "Sim"

Melhor álbum de música popular brasileira
Seu Jorge, América Brasil

Melhor álbum de rock brasileiro
CPM 22, Cidade Cinza

Melhor álbum de música romântica
César Menotti & Fabiano, Com Você

Melhor álbum de samba/pagode
Beth Carvalho, Canta o Samba da Bahia Ao Vivo

Melhor álbum de música contemporânea regional ou de raízes brasileiras
Elba Ramalho, Qual o Assunto que Mais lhe Interessa?

Melhor canção brasileira
Marco Moraes & Soraya Moraes, Som da Chuva

Melhor álbum de música tradicional regional ou de raízes brasileiras
Chitãozinho & Xororó, Grandes Clássicos Sertanejos Acústico I

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