BRASÍLIA - Agentes da Polícia Rodoviária Federal de dez Estados brasileiros e do Distrito Federal cumpriram, nesta segunda-feira, 14 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão contra empresários de Mato Grosso e servidores públicos do Mato Grosso do Sul suspeitos de desmatar a floresta amazônica. A polícia estima que, em pouco mais de um ano, a organização criminosa tenha movimentado mais de R$ 10 milhões.

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PRF desvenda esquema de desmatamento

Conforme a PRF, os presos são suspeitos de formação de quadrilha, desmatamento ilegal da floresta Amazônica, falsificação de documentos, sonegação fiscal, corrupção de servidores públicos e lavagem de dinheiro.

Durante a Operação Cupim, foram apreendidos computadores, notas fiscais adulteradas, carimbos, cofres, armas e munições.

Segundo a PRF, o esquema contava com a conivência de técnicos de fiscalização financeira da Secretaria de Administração e de agentes tributários da Secretaria de Fazenda do Mato Grosso do Sul.

Os servidores acobertavam o transporte e comercialização de madeiras nobres e ameaçadas de extinção, como Peroba e Castanheira. Para não levantar suspeitas, elas eram misturadas ao pinus, madeira de pouco valor e de livre comércio.

Os primeiros levantamentos da PRF mostram que a fraude ocorria desde abril de 2008. A PRF informa que uma mesma nota fiscal era emitida para até cinco carregamentos simultâneos, que utilizavam o Mato Grosso do Sul como corredor para chegar aos mercados de São Paulo e Paraná. Os empresários também cooptaram vários servidores responsáveis pela fiscalização.

A fraude foi descoberta após uma fiscalização de trânsito. Veículos com capacidade para 25 toneladas foram flagrados com até 50 toneladas de madeira. No momento da transferência do excesso de carga, os policiais rodoviários observaram que o carregamento também era composto por outros tipos de madeira, além de pinus.

Pelo menos 650 caminhões e carretas teriam utilizado o esquema fraudulento, somando mais de 32 mil metros cúbicos de madeira beneficiada.

A ação, coordenada pela Divisão de Combate ao Crime da Polícia Rodoviária Federal, mobilizou 120 agentes da PRF de 10 estados e do Distrito Federal, além de 14 policiais militares do Mato Grosso do Sul.

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