Prevenção da trombose venosa fica mais cômoda

Prevenção da trombose venosa fica mais cômoda Por Erasmo Simão da Silva* Todos os anos, mais de 100 mil brasileiros são diagnosticados com trombose venosa profunda. O número, no entanto, está longe de refletir a realidade, pois a doença é assintomática em 80% dos casos e muitos pacientes convivem com o problema sem nem imaginar que estão sob risco de sofrer complicações graves como a embolia pulmonar.

Agência Estado |

A trombose venosa profunda ocorre quando um coágulo se forma no interior das veias, bloqueando o fluxo sanguíneo. Os sintomas mais comuns, quando se manifestam, incluem dor intensa, calor e vermelhidão no local e inchaço. Em quase 90% dos casos, as veias dos membros inferiores são as mais atingidas.

O desenvolvimento da trombose é complexo e pode estar relacionado a fatores de risco naturais, como idade avançada, obesidade, varizes e alterações genéticas que afetam o mecanismo de coagulação.

Outras circunstâncias, como o uso de anticoncepcionais e medicamentos de reposição hormonal, imobilização prolongada - pessoas acamadas ou sentadas por longos períodos em espaços reduzidos, a popular síndrome da classe econômica -, cirurgias de grande porte, gravidez e traumas podem aumentar o risco.

Pacientes submetidos às cirurgias de colocação de prótese de joelho e de quadril, por exemplo, têm 60% de chances de sofrer de trombose, se não fizerem a prevenção adequadamente, após a operação. Todos os anos, cerca de 70 mil procedimentos desse tipo são realizados no Brasil.

Para esse grupo de pacientes, a prevenção da trombose fica mais cômoda a partir de agora, com a chegada do etexilato de dabigatrana. O medicamento vem preencher uma lacuna de mercado. Além de ser utilizado por via oral e em dose única diária, eliminando o fardo das injeções diárias por períodos prolongados, o novo medicamento dispensa o monitoramento constante da coagulação. Os remédios mais antigos obrigavam o paciente a fazer exames de sangue até três vezes por semana para ajustar a dose.

Desenvolver um anticoagulante considerado ideal sempre foi um grande desafio da indústria farmacêutica. A chegada de um medicamento mais fácil de usar que promove uma ação anticoagulante efetiva com baixo risco de sangramento, após mais de 50 anos sem o lançamento de nenhum remédio de uso oral, representa, sem dúvida, uma grande inovação.

*Dr. Erasmo Simão da Silva é cirurgião vascular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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