Prestígio de Lula será testado em segundo turno de Marta e Marinho

SÃO PAULO - Apesar da disputa entre os aliados por sua imagem, a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi suficiente para resolver a eleição, já no primeiro turno, nas cidades em que ele mais arriscou seu prestígio pessoal. De Natal (RN), onde os ataques do presidente à oposição foram insuficientes para impedir a eleição da candidata Micarla Souza (PV), a São Bernardo do Campos, o presidente sofreu uma série de revezes.

Valor Online |

Até quarta-feira, o Palácio do Planalto decide a agenda do presidente no segundo turno.

O segundo turno se desenha difícil mesmo em cidades onde dois aliados de Lula passaram para o segundo turno. Este é o caso, por exemplo, de Salvador (BA), onde o candidato do PT, Walter Pinheiro, na reta final ultrapassou o candidato demista Antonio Carlos Magalhães Neto e vai disputar o segundo turno com o atual prefeito João Henrique, do PMDB, maior partido da base de sustentação do governo. O ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) exige neutralidade de Lula na disputa.

Na campanha, Lula empenhou-se especialmente nas cidades do ABCD paulista e em São Paulo. O presidente dedicou especial atenção a São Bernardo do Campo, município em que Lula iniciou sua carreira política e que desde 1988 não elege um prefeito de cepa petista. Em São Paulo, a exemplo das cidades do ABCD, o prestígio de Lula também não foi suficiente para impedir que Gilberto Kassab (DEM) chegasse à frente de Marta Suplicy (PT).

Enquanto votava ontem em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chamou atenção para o fato de que Lula tem prestígio, sim, mas só isso não basta para consagrar seus escolhidos. " Ele tem uma biografia e biografia não se transfere " , disse. Isso sobretudo nos grandes colégios eleitorais, na opinião do ex-presidente.

" Agora eu vejo que o presidente Lula, com bom juízo, está concentrando seus esforços lá em São Bernardo " , pela manhã, quando ainda não eram conhecidos os resultados no ABCD. " Parece que o PT está voltando a ser forte no ABC e deixando espaço para os outros no Brasil. Tomara " , ironizou FHC.

O presidente, por sua vez, não parecia preocupado com críticas sobre sua atuação em favor da campanha de Marinho. Ontem, ao votar acompanhado do candidato, demonstrou claramente seu empenho na eleição do ex-ministro. " Espero que São Bernardo recupere o tempo perdido " , disse. " Eu tenho uma loucura de fazer com que esses bairros de hoje que são chamados de favelas sejam chamados de bairros e que não sejam mais favelas " , afirmou o presidente.

Nas declarações de Lula, sobraram ataques à candidatura de Orlando Morando (PSDB), que é apoiado pelo prefeito William Dib (PSB). O presidente sinalizou que é mais fácil negociar com o prefeito de São Paulo, rival de Marta, do que fazer parcerias com o prefeito de SBC. Segundo Lula, a negociação com Dib foi complicada porque o prefeito não fazia parcerias com o governo federal, por " ignorância política " . Sobre a disputa em São Paulo, colégio eleitoral onde a disputa deve ser ainda mais federalizada, Lula disse confiar na vitória de Marta e considerou " extraordinário " o fato dela ir ao segundo turno, com a disputa tão acirrada.

(Cristiane Agostine, Cristiane Perini Lucchesi e Luiza de Carvalho | Valor Econômico)

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