Prestadores de serviço da Furnas demitidos recebem mensagem inusitada no contracheque

Por maior que seja o buraco em que você se encontra, sorria, porque, por enquanto, ainda não há terra em cima. A frase, típica de parachoque de caminhão, não foi lida na estrada. Apareceu, logo abaixo da informação líquido a receber, no comprovante de pagamento de setembro de funcionários prestadores de serviços a Furnas Centrais Elétricas, contratados pela empresa de engenharia Enesa. Detalhe: a frase seguiu até mesmo para os empregados que estavam sendo demitidos, junto à carta de aviso prévio.

Sheila Machado, iG Brasília |

A Enesa diz estar apurando o que aconteceu. "Ainda não conseguimos localizar o autor da frase, diz Vitor Eduardo Mororó, supervisor de Recursos Humanos da Enesa. Acreditamos que tenha sido obra de algum hacker que invadiu o sistema interno da empresa. Em setembro tivemos a visita de um analista de sistema da Totvs que mexeu no banco de dados. Não há certeza, mas pode ter sido ele".

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Contracheque do funcionário.
Abaixo, o detalhe da frase

Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Totvs informou que a empresa não recebeu qualquer comunicado da Enesa relatando a suspeita de violação do banco de dados e que, portanto, não se pronunciaria a respeito.

Mororó conta que chegaram ao departamento de RH da Enesa telefonemas de funcionários reclamando da frase impressa no contracheque, não só de prestadores de serviços de Furnas. "Quando fomos verificar o sistema, vimos que a inscrição estava fixa no banco de dados. Não conseguíamos apagá-la. Tivemos de gerar outro documento para imprimir os comprovantes de pagamento de outubro, sem a frase", diz.

Mesmo que a Enesa tenha sido alvo de uma invasão de sistema, os funcionários que tiverem se sentido lesados podem acionar a Justiça por dano moral individual e coletivo, sustenta Grijaldo Coutinho, juiz do Trabalho e ex-presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).

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Frase abaixo dos vencimentos do funcionário

"A empresa tem de provar que foi atacada, afirma Coutinho. O juiz do trabalho ainda deve avaliar se ela não foi relapsa, se deixou seu sistema desprotegido a ponto de ter um documento importante alterado dessa maneira."

Depois de descoberto o erro, a Enesa, segundo Coutinho, deveria ter pedido desculpas com a máxima urgência a seus funcionários. "Uma frase dessas representa uma relação de trabalho que não podemos tolerar, a de que o empregado é submisso e tem que aguentar todo tipo de pressão", diz  ele.

O IG obteve cópia do contracheque de um técnico de informática demitido que continha a frase.

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