RIO DE JANEIRO - Cerca de 70% do contingente carcerário do Espírito Santo é de presos provisórios, segundo dados da Associação de Defensores Públicos do Estado (Adepes). Para a associação, isso é consequência da falta de defensores públicos.

Além de reforçar as denúncias que motivaram um pedido de intervenção ao Ministério Público Federal nas prisões capixabas, o presidente da Adepes, Bruno Pereira Nascimento, revela que aguardam julgamento 3.980 presos do total de 5.808 detidos. Dos detentos provisórios, 90% não têm condições de pagar um advogado e dependem dos três defensores que atuam na área de execução penal em todo o estado.

O normal de outros Estados é ter um terço dos presos nessas condições. Mesmo com esforço de defensores de outras áreas, nem 15% desses 90% são atendidos, afirmou. Segundo Nascimento o déficit de advogados públicos no estado em todas as varas é o grande problema do Judiciário no Espírito Santo e pode ajudar a esconder outras violações de direitos humanos.

Nascimento lembra que, devido ao contato próximo entre defensores e detentos, a situação de muitos presídios denunciados ao MPF já era conhecida. Antes do pedido de intervenção, a defensoria tinha pedido a interdição de cinco unidades no interior e na grande Vitória. O órgão também preparava documentos para tentar fechar mais cinco. Entre eles, uma unidade feminina e uma casa de detenção para adolescentes.

Pedimos a interdição daqueles que são verdadeiras ratoeiras, pocilgas, nos quais não há condições mínimas de dignidade humana, revelou. Estimativas da associação revelam que, com a interdição das dez unidades, cerca de 80% do contingente carcerário deveria ser realocado.

Segundo o defensor, além dos presídios denunciados várias outras prisões estaduais estão em condições calamitosas, mas para evitar um prejuízo orçamentário não calculado ao governo, a instituição decidiu priorizar dez. Estamos pedindo apenas [o fechamento] das ratoeiras. Nesses, a situação [precária] é pública e notória.

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