Presos na Operação Pecado Capital prestam depoimento no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ Dezesseis detidos na Operação Pecado Capital, desencadeada em julho pelo Ministério Público Estadual, prestam depoimento nesta segunda-feira no Tribunal de Justiça do Rio, no Centro da cidade. Entre os presentes, estão o ex-secretário estadual de Saúde Gilson Cantarino, o ex-subsecretário de Infra-estrutura da Secretaria de Estado de Saúde Itamar Guerreiro e a ex-subsecretária de Assistência à Saúde Alcione Athayde.

Redação |

A audiência é presidida pela juíza Ana Luiza Coimbra Mayom Nogueira, da 21ª Vara Criminal. Integrantes do Ministério Público acompanham a sessão, que está sendo realizada a portas fechadas devido ao segredo de Justiça. Os acusados respondem pelos crimes de formação de quadrilha, uso de documentação falsa, falsidade ideológica, dispensa indevida de licitação e peculato, que se caracteriza por ser um crime praticado por um funcionário público.

AE
Contas do casal Garotinho foram bloqueadas
A Operação Pecado Capital foi desencadeada com o objetivo de desbaratar uma quadrilha que teria desviado mais de R$ 70 milhões de recursos da Secretaria Estadual de Saúde na gestão da ex-governadora do Rio, Rosinha Matheus. Por causa da ação, em julho deste ano, Garotinho e Rosinha foram denunciados pelo MP e tiveram todos os seus bens bloqueados pela Justiça. Na ocasião, o ex-governador declarou que ele e sua mulher não têm responsabilidade sobre o desvio de verbas.

"O Ministério Público sabe que eu e Rosinha não temos nada a ver com isso. Tanto que, na ação criminal, que é a principal, não nos envolveu", disse.

Esquema

De acordo com o Ministério Público Estadual, a quadrilha agia no período entre 2005 e 2006 "desviando verbas públicas por intermédio de contratações ilícitas para a execução de projetos vinculados à Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo as investigações, os desvios eram feitos através da contratação de ONGs. Mais de R$ 70 milhões que foram desviados seriam destinados ao projeto "Saúde em Movimento". O programa era promovido pela Fundação PROCEFET e contava com serviços de aferição de pressão alta, medição da glicose, clínica médica, nutrição e aplicação de flúor para a população carente da Baixada Fluminense.

Das 138 ONGs e entidades beneficiadas com os repasses financeiros, 55 são religiosas e muitas sequer estavam em funcionamento, tendo sido reativadas apenas para viabilizar o recebimento de recursos. Vinte e cinco representantes dessas micro-ONGs confirmaram em depoimento que não haviam prestado qualquer serviço à Secretaria Estadual de Saúde, no período do contrato.

Os pagamentos dirigidos a essas Micro-ONGs eram efetuados em saques ocorridos na boca do caixa, na maioria das vezes em valores inferiores a R$ 100 mil, visando a evitar o rastreamento das operações bancárias pelo COAF/MF. Todo o dinheiro era retirado de uma agência na zona Sul do Rio e acondicionado em mochilas ou pastas para ser transportado.

A quadrilha mantinha um escritório na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, onde os representantes das ONGs recebiam pagamentos de R$ 300 a R$ 900. Os valores correspondentes à diferença entre os recursos sacados da agência e os efetivamente repassados aos representantes das ONGs ainda têm fim ignorado.

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