Presos na Operação Naufrágio prestam depoimento à Polícia Federal, em Brasília

BRASÍLIA ¿ O presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, desembargador Frederico Guilherme Pimentel, outros dois desembargadores, um juiz, dois advogados e uma servidora do TJ que foram presos ontem na Operação Naufrágio começaram a prestar depoimento na manhã desta quarta-feira. Eles estão sendo ouvidos separadamente por agentes da Divisão de Inteligência da Polícia Federal, na superintendência do órgão, em Brasília.

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Segundo a PF, a ministra do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz, responsável pelo processo, delegou para os policiais da área de inteligência a função de coletar os depoimentos. Os sete presos começaram a ser ouvidos pela manhã e não há previsão de término. No entanto, a coleta dos depoimentos não deve ultrapassar mais que os cinco dias previstos no pedido de prisão temporária dos sete suspeitos.

O presidente do TJ-ES e os outros seis estão presos em um quartel do Corpo de Bombeiros na capital federal. De acordo com o Supremo Tribunal Federal, os advogados dos suspeitos ainda não entraram com nenhum pedido de habeas corpus junto ao órgão.

A Operação Naufrágio, deflagrada ontem pela PF em Vitória , teve como objetivo desarticular uma organização que atuava dentro do TJ-ES cometendo crimes contra a administração pública. Segundo o STJ, o delito investigado consistia no patrocínio e na intermediação de interesses particulares perante o Tribunal, para obtenção de decisões favoráveis e outras facilidades que pudessem ser conseguidas por meio da interferência dos agentes públicos em troca de favores e vantagens pessoais.

Durante as investigações, também surgiram evidências de nepotismo no TJ-ES, expediente que teria servido como elemento facilitador das ações delituosas da suposta quadrilha. Diálogos autorizados pelo STJ sugeriram a possibilidade de ter havido manipulação de concurso público para o cargo de juiz de Direito do Tribunal, para viabilizar o ingresso de familiares de desembargadores.

Ontem, o ministro da Justiça, Tarso Genro, fez elogios à Operação Naufrágio . Segundo ele, a ação pôs fim a espetaculosidade das ações policiais. Posso dizer que é uma ação da PF que vem de outras ações, que foi controlada rigorosamente pelo Ministério Público e trabalhada com o Superior Tribunal de Justiça. É um processo exemplar. Não houve espetaculosidade. Depois daquele episódio negativo que tivemos, a PF tem tido uma preocupação muito grande com o cumprimento do manual.

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