Presos em RO são condenados a mais de 400 anos

Os dois eram acusados da morte de 27 detentos durante chacina em presídio de Rondônia em 2002. Defesa entrou com recurso

iG São Paulo |

O Tribunal do Júri condenou na madrugada desta sexta-feira, após dois dias de julgamento, Michel Alves das Chagas (conhecido como Chimalé) e Anselmo Garcia de Almeida (o Fininho) por terem liderado a chacina ocorrida em janeiro de 2002 na casa de detenção José Mário Alves, conhecida como Urso Branco, em Porto Velho, Rondônia. Vinte e sete pessoas morreram na chacina.

Cada detento foi julgado e condenado pelos 27 homicídios. Chagas teve a pena base definida em 18 anos, que multiplicados pelos número de vítimas, resultou na condenação definitiva de 486 anos de prisão em regime fechado. Já Almeida teve a pena base dosada em 16 anos e seis meses de reclusão, num total de 445 anos e seis meses de prisão em regime fechado. Os advogados de defesa já entraram com recurso.

Ao todo, são 16 réus acusados da chacina no Urso Branco. Até o fim deste mês, segundo informações do Tribunal de Justiça, estão previstos os julgamentos dos demais acusados.

O caso

Após uma tentativa frustrada de fuga, em 2 de janeiro de 2002, presos ameaçados de morte foram executados a golpes de armas artesanais, chamadas de "chuchos". Todos os presos mortos eram de celas onde ficam detentos ameaçados de mortes, chamada de seguro, mas tinham sido transferidos para outros pavilhões um dia antes da chacina. Segundo depoimento de testemunhas, os presos do seguro tinham pedido para não mudarem de pavilhão por medo de ser morts.

Chagas, que estava preso por homicídio, latrocínio e assalto, e Almeida, por participação em assaltos, negam a autoria dos crimes. Eles disseram que estavam feridos no dia em que ocorreram as mortes. 

Segundo informações do Tribunal de Justiça, ex-diretores da unidade prisional também foram acusados de envolvimento, mas recorreram da decisão e aguardam julgamentos de recursos.

As mortes em Urso Branco, a segunda maior chacina em presídio do País depois do massacre do Carandiru em São Paulo, ganharam repercussão internacional pela brutalidade. A violação aos direitos humanos no presídio rondoniense resultou na condenação do Estado brasileiro pela Corte da Organização dos Estados Americanos (OEA). Na época dos assassinatos, cerca de 1.300 detentos superlotavam a cadeia. 

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