Presos 2 policiais acusados de extorquir grupo de Abadía

A Corregedoria da Polícia Civil prendeu, hoje, dois dos cinco policiais acusados de extorquir dinheiro de integrantes da quadrilha do megatraficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía. Os mandados foram expedidos na sexta-feira à noite pela juíza auxiliar Tarcisa de Melo Silva Fernandes, da 12ª Vara Criminal da capital.

Agência Estado |

Até a noite de hoje, permaneciam foragidos os policiais Anselmo Ferreira, Pedro Paulo Rodrigues Oliveira e Cláudio Batista da Freiria. Em depoimento à corregedoria, todos negaram participação nos crimes.

Nos próximos dias, a equipe liderada pelo delegado Caetano Paulo Filho, chefe da Divisão de Crimes Funcionais da corregedoria, deve concluir outros dois inquéritos que apuram extorsões ao bando de Abadía. Segundo Paulo Filho, ao final das investigações mais de 30 pessoas deverão ter sido indiciadas, a maioria policiais e informantes (os chamados gansos). "Aqueles que praticaram crimes estão sendo investigados e serão expurgados dos quadros da Polícia Civil", advertiu o delegado. "Não faremos distinção de carreira nem da classe. Todos vão responder nas esferas criminal e administrativa por seus atos." A corregedoria e o Ministério Público Estadual (MPE) devem pedir novas prisões ao término das investigações.

São duas as denúncias (acusações formais à Justiça) que resultaram no pedido de prisão preventiva contra os cinco policiais. Na primeira, a extorsão teve como vítima o empresário Daniel Bráz Maróstica, apontado pela Polícia Federal como braço direito de Abadía. Em maio de 2006, Maróstica foi cercado por quatro homens após uma prova de kart em Aldeia da Serra, na Grande São Paulo - três deles seriam os investigadores Pedro Paulo Rodrigues Oliveira, Thiago Luiz Berbare Bandeira e Claudio Batista Freiria, que à época trabalhavam num distrito policial em Diadema, ABC paulista.

Os policiais teriam decidido capturar Maróstica após serem passados para trás por colegas do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), a quem haviam pedido ajuda para extorquir o traficante colombiano Henry Edval Lagos, o Patcho, amigo de Abadía. Entretanto, os policiais do Denarc foram mais rápidos: sequestraram Patcho e lhe tomaram US$ 280 mil (o equivalente a cerca de R$ 514 mil).

Inconformados com a traição e atiçados pelo montante obtido pelos colegas em tão pouco tempo, os homens de Diadema resolveram ir atrás de Maróstica para tentar reverter o prejuízo. O empresário acabou forçado a entregar uma moto Yamaha, vendida por R$ 34 mil - o mecânico responsabilizado pela venda, Valter Antonio Gonçalves, é acusado de receptação.

O MPE sustenta que, descontente com o que recebeu de Maróstica, Oliveira entrou em contato com os policiais Anselmo Ferreira, Christian Renner Fernandes de Godoy e outras pessoas ainda não identificadas para investir contra outro integrante do bando de Abadía, o piloto de avião André Luiz Telles Barcellos. Em 14 julho de 2006, Barcellos e seu sócio na Vetol Táxi Aéreo, João Pereira de Souza, foram sequestrados pelos policiais.

O grupo tomou os R$ 85 mil que as vítimas carregavam - relativos à venda de um carro - e exigiram R$ 1 milhão para libertá-los. No fim das contas, os policiais se contentaram em receber como resgate US$ 100 mil e R$ 110 mil em dinheiro, além de uma picape Nissan Frontier, vendida por R$ 70 mil. Os advogados dos policiais não foram encontrados hoje.

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