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Presos 2 médicos acusados na máfia das UTIs em GO

A morte de centenas de pacientes, nos últimos anos, motivada pela falta de vagas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do maior hospital de Goiás resultou hoje na prisão de cinco pessoas. Entre elas dois médicos e duas enfermeiras que trabalhavam no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), além de uma assessora parlamentar da Assembléia Legislativa.

Agência Estado |

Todos estariam supostamente envolvidas com a 'máfia das UTIs', conforme denúncia da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE).

Os nomes dos presos e das empresas envolvidos no caso foram mantidos em sigilo, devido a um acordo estabelecido entre o MPE, a Polícia Civil e os advogados de defesa. "Durante as investigações descobriu-se que muitos pacientes não conseguiam internação na UTI do Hugo e outros que até faleciam pela demora no atendimento", afirmou o promotor Marcelo Celestino, coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) do Cidadão. "Também se descobriu que fazem parte de um grupo que obtém lucros transferindo pacientes internados na UTI do Hugo, que é público, para UTIs de hospitais da rede privada mediante o pagamento de propinas", disse Eduardo Abdon Moura, procurador-geral de Justiça.

No esquema que rendia cerca de R$ 200 mil por mês, segundo o promotor, duas empresas eram as maiores beneficiadas com as internações, com custo diário de R$ 1,5 mil bancado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Para ganhar mais, as empresas retardavam ao máximo a alta do paciente", disse Celestino. "Há casos em que um paciente que necessitava de apenas um dia de internamento ficava até quatro dias na UTI."

O sistema era acionado quando o paciente dava entrada na emergência no hospital. De acordo com o procurador-geral e o promotor, pelo "padrão" econômico e o tipo de plano de saúde que portava, o doente era selecionado para as unidades particulares. Ambulâncias eram providenciadas e as guias de Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) assinadas pelos médicos. De acordo com as investigações do MPE, cada AIH assinada rendia entre R$ 150 e R$ 250 para o grupo.

Na maioria dos casos, os pacientes transferidos eram jovens, com doenças simples e de rápida recuperação. Os doentes com mais idade eram rejeitados e obrigados a permanecer nas filas de atendimento enquanto os pacientes escolhidos saiam pelas portas laterais do Hugo. Segundo o delegado da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Derccap), Celso Eusébio Ferreira, os acusados estão sendo indiciados por corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e desvio de dinheiro público.

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