Presos 11 acusados de extorsão a camelôs em SP

O assessor político da Subprefeitura da Mooca, na zona leste de São Paulo, Georges Marcelo Eivazian, e o fiscal Edson Alves Mosqueira chefiavam duas quadrilhas que agiam no bairro e no Brás, também na zona leste, acusou hoje o delegado Luís Augusto Storni, da Unidade de Inteligência Policial (UIP). Eivazian, Mosqueira e mais nove envolvidos num esquema de extorsão a camelôs foram presos hoje.

Agência Estado |

Outros dois estão foragidos. A polícia estima que o faturamento dos grupos era de R$ 600 mil a R$ 800 mil por mês.

As investigações, que começaram há três meses, a partir de uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), mostram que a propina era recolhida por camelôs envolvidos no esquema. Eles ganhavam parte do dinheiro e isenção da "taxa", afirmou Storni. Em depoimento hoje à polícia, alguns deles disseram ter sido coagidos, mas o promotor do caso, José Carlos Blat, afirmou não acreditar na versão. "No início, eles podem ter sido forçados, mas depois, com o gosto do dinheiro e do poder, permaneceram na função por vontade própria."

O delegado disse que vendedores legais e ilegais eram obrigados a pagar de 20 a 30 reais por mês ao bando de Mosqueira. O valor variava de acordo com o tipo de produto vendido e o ponto de venda. Já o grupo de Eivazian, afirmou Blat, recolhia propina de vendedores de alimentos - de até mil reais por semana, de donos de trailers. Segundo o delegado, quem não pagava recebia retaliações, como apreensão da mercadoria, cassação de alvará (no caso dos ambulantes legais) e até a expulsão da região.

Para o promotor do caso, o esquema aponta que os criminosos se "sofisticaram". "O fiscal não queima mais a mão com o crime. Ele manda os camelôs recolherem os valores, o que dificulta as investigações", disse. "O crime é simples, mas a organização da quadrilha é complexa." Depois de prestarem depoimento no 91º Distrito Policial (DP), na Vila Leopoldina, zona oeste da capital paulista, os presos serão levados aos 77º, 13º e 89º DPs, onde ficarão detidos, temporariamente, por cinco dias. Storni adiantou que pedirá a prisão preventiva dos suspeitos.

Crimes

Eles responderão pelos crimes de formação de quadrilha e extorsão. Os fiscais serão acusados ainda de concussão (extorsão cometida por empregado público no exercício das suas funções) e o assessor político da Subprefeitura da Mooca, por uso de entorpecentes. Segundo o delegado, Eivazian foi preso com maconha e cocaína. Depois de concluído o inquérito policial, caberá ao MP-SP denunciar o grupo à Justiça.

O inquérito faz parte de um processo administrativo criminal do MP-SP instaurado em março. Segundo Blat, serão investigados esquemas de corrupção em mais duas subprefeituras da capital, mas ele não citou quais, além de outras irregularidades na Mooca, ligadas a publicidade ilegal, licitações e concessão de alvarás.

O subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, será chamado a depor, mas, segundo a polícia, não há provas de envolvimento dele. "Até agora, não chegamos a nenhum tipo de envolvimento do subprefeito, mas tudo aconteceu dentro da área dele", disse Storni. "É evidente que ele vai ter de tomar conhecimento e vamos ouvir suas explicações." Em nota, a Prefeitura comunicou o afastamento imediato de todos os investigados. Segundo o comunicado, "nunca a fiscalização foi tão severa" na cidade.

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