Mais um policial militar foi preso sob suspeita de participar da morte, no fim do dia 9 deste mês, do motoboy Eduardo Luís Pinheiro dos Santos, na zona norte de São Paulo. Segundo a Polícia Militar (PM), ele foi detido na madrugada desta sexta-feira e levado para a Corregedoria da Polícia Militar. Agora já são nove os PMs recolhidos à Corregedoria.

Santos foi abordado por policiais militares na Casa Verde, zona norte de São Paulo, e levado para a 1ª Companhia do 9º Batalhão com outros três rapazes. Três horas depois, foi encontrado morto em Santana, na mesma região. Testemunhas disseram à Polícia Civil que o rapaz foi torturado, espancado e humilhado no quartel.

Segundo apuração da equipe E-Leste do DHPP, na noite do dia 9, Santos pediu ajuda a um amigo açougueiro para procurar a bicicleta do filho que havia sido furtada. Eram por volta das 21h quando o motoboy encontrou três rapazes na esquina da Rua Maria Curupati com a Avenida Casa Verde. Os quatro começaram a discutir. Os rapazes disseram que não haviam furtado a bicicleta.

PMs apareceram e perguntaram aos quatro o que estava acontecendo. Um PM, segundo testemunhas, deu um soco no peito de Santos. Inconformado, o motoboy quis saber o motivo da agressão e derrubou o PM. Santos foi levado para a sede da 1ª Companhia do 9º Batalhão. Os três rapazes foram para o mesmo local.

As testemunhas contaram no DHPP que Santos foi torturado e levou chutes e socos. Disseram ainda que cada PM que chegava ao quartel ouvia dos colegas que Santos havia xingado todos. Cada um que entrava no serviço batia no motoboy. O Departamento de Homicídios apurou que até policiais femininas participaram das agressões.

Por volta de 0h10, PMs da viatura 09145 avisaram o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) que haviam encontrado um homem negro caído na esquina da Avenida Brás Leme com a Rua Voluntários da Pátria. Os PMs avisaram ainda que iriam levar a vítima para o Pronto-Socorro de Santana. Santos já chegou morto ao hospital.

Investigação

O secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, informou na quinta-feira, em nota, ter determinado que as Polícias Militar e Civil façam "a mais rigorosa apuração dos fatos". A nota diz que a secretaria "não compactua com esse tipo de procedimento, que considera abominável".

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) pediu à PM as fotografias e a escala de serviço de todos os policiais que trabalharam na noite daquele dia e na madrugada seguinte, dia 10 deste mês. O porta-voz da Corregedoria da PM, major Reinaldo Zychan, disse que os nove presos começaram a ser ouvidos.

(*com informações do iG São Paulo)

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