Preso acusado de manter disque-drogas em SP

Médicos, dentistas, advogados e professores universitários eram os clientes preferenciais do empresário Marcos Cleo, de 44 anos, preso ontem pela Polícia Civil de Sorocaba, no interior de São Paulo, acusado de tráfico de cocaína. Dono de uma loja de carros, Cleo é suspeito de fazer negócio pelo telefone celular e a clientela usava uma linguagem codificada para pedir a droga.

Agência Estado |

Para a entrega, ele marcava encontros em bairros nobres da cidade e se dirigia ao local num carro Audi preto.

Durante cinco meses, com autorização judicial, a polícia gravou as conversas e fez imagens dos encontros - que comprometem integrantes da alta sociedade do município, segundo a delegada Simona Ricci Scarpa, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise). Nas imagens divulgadas pela polícia, Cleo é flagrado entregando a "encomenda" no bairro Campolim, principal reduto da classe A e ponto de encontro de jovens, próximo de escolas. Numa das gravações, o interlocutor pergunta se o empresário tem "a loira do uisquinho".

Com a resposta positiva, o cliente pede: "Manda três pra nós." Em outra ligação, o cliente o convida para "tomar uma cerveja" no Campolim, "no lugar se sempre". Os registros mostram que a entrega ocorre num conhecido bar da região. Um dos clientes assíduos, um professor universitário, usava como senha a pergunta: "Pode vir na aula hoje?" O empresário teria respondido: "Posso, quando?" O professor: "A hora que quiser, mas da mesma qualidade."

Outro cliente, um médico, preocupava-se com a pureza do entorpecente. "Sem muito sódio, ouviu?" Cleo não fazia negócios em grande escala e recusava os compradores dos quais desconfiava. O tóxico era vendido em papelotes de 3 e 5 gramas, a 30 e 50 reais, respectivamente. Em alguns dias, o empresário teria feito mais de 20 entregas em bares, casas noturnas, postos de abastecimento e lojas de conveniência.

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